Proibida no Brasil, Polymarket dá Flávio favorito apesar de empate nas pesquisas

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Polymarket e Kalshi, plataformas do mercado de previsão proibidas no Brasil desde abril de 2026, passaram a atribuir mais de 60% de chance de vitória ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial de 2026, embora as pesquisas eleitorais apontem empate técnico dele com o presidente Lula (PT).

Na quinta (1º), a Polymarket indicava 62% para o candidato do PL e 37% para Lula, enquanto a Kalshi marcava 61% a 40%.

Previsão do Polymarket para eleições no Brasil. Foto: Reprodução

O Datafolha mais recente registrou Lula com 47% das intenções de voto e Flávio com 45% em um eventual segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na simulação de primeiro turno, o presidente tinha 40%, ante 36% do senador.

A mudança nas plataformas ocorreu nas últimas semanas. Em meados de agosto, a Kalshi dava cerca de 68% de probabilidade de vitória a Lula; em 28 de setembro, Flávio passou à frente, com 57%, contra 43% do petista.

Os percentuais dos mercados de previsão, que operam como se fossem apostas, não equivalem a intenção de voto nem representam uma amostra do eleitorado. Os participantes negociam contratos sobre resultados futuros, e o preço de cada contrato cria uma probabilidade implícita para o evento.

Indicadores de probabilidade eleitoral na plataforma Polymarket
Indicadores de probabilidade eleitoral exibidos na plataforma Kalshi. Foto: Reprodução

Como funcionam os contratos e quais são os limites dos mercados

Na Polymarket, um contrato negociado a US$ 0,62 paga US$ 1 se o resultado ocorrer e zero se não ocorrer. A cotação, portanto, sinaliza uma expectativa próxima de 62%, mas pode mudar continuamente conforme as ordens de compra e venda.

A Kalshi opera de forma semelhante e registrava pouco mais de US$ 6 milhões em volume negociado no mercado sobre a eleição brasileira. Na Polymarket, o volume informado era de US$ 159 milhões, número que inclui revendas de um mesmo contrato e não mede apenas dinheiro novo aplicado na disputa.

Em outro contrato da Kalshi, Lula aparecia com cerca de 75% de chance de terminar o primeiro turno na liderança, mesmo com Flávio à frente na projeção para a vitória final. A plataforma estimava em 7% a possibilidade de a eleição se decidir já no primeiro turno.

O governo federal tenta bloquear a atuação da Polymarket no Brasil desde abril. A Secretaria de Prêmios e Apostas considera ilegal a oferta de apostas sobre acontecimentos reais, como eleições, por empresas sem autorização no país; após provocação do TSE e da Advocacia-Geral da União (AGU), a Meta retirou do ar o perfil brasileiro da plataforma no Instagram.

A empresa afirmou que “respeita as autoridades competentes e cumpre as determinações que lhe são dirigidas em cada jurisdição”.

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