
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quinta-feira (1º) que não participará do debate da TV Globo, marcado para esta noite. A desistência ocorre em meio a duas decisões judiciais que alteram o encontro: o veto à exibição destacada do púlpito vazio de Lula (PT) e às perguntas dirigidas ao presidente ausente, além da determinação para incluir Renan Santos, do Missão.
“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE”, escreveu Flávio em publicação no X. O senador afirmou que dará mais detalhes sobre a desistência. Segundo a coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, a campanha considera as intervenções judiciais uma forma de censura às regras do programa.
A primeira decisão foi tomada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspendeu a regra de exposição do púlpito vazio identificado com o nome de Lula. A liminar, concedida a pedido do PT, também impede a formulação de perguntas destinadas ao candidato ausente. A ordem suspende o item 7 da ata do debate e prevê multa em caso de descumprimento.
A medida atinge uma estratégia que o candidato do PL vinha preparando. Nos ensaios, a equipe de Flávio simulou perguntas ao púlpito vazio para explorar a ausência do petista. O senador também treinou respostas sobre sua relação com Daniel Vorcaro e a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida, temas considerados possíveis pontos de ataque dos adversários.
Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE.
A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas.
Em breve mais detalhes.— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) October 1, 2026
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes determinou a inclusão de Renan Santos no debate, na vaga aberta pela desistência de Lula. A ordem assegura ao candidato as mesmas condições de tempo, perguntas e posição dos demais participantes e permite à Globo adaptar a dinâmica do encontro. O ministro também mandou credenciar sua equipe e comunicar a decisão com urgência à emissora e ao TSE.
A decisão de Gilmar reverte o trecho de uma ordem anterior de Nunes Marques que havia negado a participação de Renan. O candidato do Missão vinha fazendo críticas públicas a Flávio e buscava reverter sua exclusão do programa. No anúncio da desistência, porém, o senador do PL citou o TSE e não mencionou Renan nem a determinação do ministro do Supremo.
Flávio havia mantido sua participação mesmo depois de Lula confirmar que não compareceria. Aliados chegaram a defender a desistência, mas a campanha avaliara que recuar após anunciar presença poderia produzir desgaste na reta final do primeiro turno. O presidente, por sua vez, dará entrevista ao Flow Podcast no horário do debate.