Justiça mantém condenação de Malafaia por dizer que Felipe Neto “perverte crianças”

Silas Malafaia fala ao microfone em palco diante de tela
Silas Malafaia fala ao microfone em palco diante de uma tela. Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou o recurso do pastor Silas Malafaia e manteve a condenação para que ele pague R$ 25 mil de indenização ao influenciador Felipe Neto. A ação trata de declarações em que o religioso chamou o youtuber de “bandido” e “canalha” e disse que ele “perverte as crianças e adolescentes através de seus vídeos”.

Malafaia também afirmou que Felipe Neto merecia ser preso por defender a distribuição de uma revista em quadrinhos que trazia o beijo entre dois personagens masculinos. Ainda cabe recurso contra a decisão, e o advogado Jorge Vacite Neto, que representa o pastor, declarou que não há obrigação definitiva de pagamento enquanto o processo estiver em fase recursal.

Felipe Neto acionou a Justiça ao afirmar que Malafaia lhe atribuiu crimes que ele não cometeu e o perseguiu por “pura e simples homofobia”. O influenciador sustentou que os ataques atingiram sua honra.

A condenação em primeira instância saiu em fevereiro de 2026. Ao recorrer, Malafaia alegou que participou de uma disputa pública de ideias sobre educação, costumes e valores culturais, sem intenção de ofender pessoalmente o influenciador.

O influenciador Felipe Neto. Foto: reprodução

Desembargadora apontou excesso de linguagem nos ataques

De acordo com informações da Folha, a desembargadora Cláudia Telles de Menezes, relatora do caso, rejeitou os argumentos da defesa. “Toda crítica e opinião é possível, desde que respeitosa”, afirmou na decisão.

Para a magistrada, os termos “bandido” e “canalha”, somados à acusação de prática de crime, ultrapassaram os limites da crítica. Ela também classificou como excessiva a frase em que Malafaia disse que Felipe Neto “perverte e manipula crianças e adolescentes com seus vídeos”.

O conflito começou em 2019, quando Marcelo Crivella, então prefeito do Rio, ordenou o recolhimento de exemplares de “Vingadores: A Cruzada das Crianças” expostos na Bienal do Livro. A obra da Marvel continha uma cena de beijo entre dois personagens homens.

Felipe Neto comprou o estoque disponível do quadrinho e anunciou que o distribuiria gratuitamente, após denunciar “censura motivada por homofobia”. Nas redes sociais, ele escreveu que enquadrar o afeto homossexual como pornografia ou conteúdo impróprio para menores representa “censura em último nível”.

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