
A campanha do presidente Lula (PT) pretende concentrar parte da estratégia do segundo turno no risco de redução de programas sociais e de desvinculação das aposentadorias do salário mínimo, numa tentativa de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O petista terminou o primeiro turno com 45% dos votos válidos, contra 47% do adversário. Com informações da Folha.
Em reunião com dezenas de aliados na segunda-feira (5), Lula orientou a campanha a alertar beneficiários de programas sociais sobre eventuais cortes ligados a reformas defendidas pelo campo adversário. A estratégia também buscará associar promessas econômicas de Flávio a cortes em políticas de inclusão.
O discurso será direcionado aos aposentados, com a advertência sobre uma possível desvinculação dos benefícios em relação ao salário mínimo. A campanha ainda pretende lembrar aos trabalhadores que, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o salário mínimo não teve ganho real.
Em trecho aberto da reunião, Lula afirmou: “Nós temos que ter muito cuidado, porque toda vez, nesse país, que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social. Não é tirar o benefício dos ricos, é tirar o benefício dos pobres”.
Segurança pública entra na revisão da comunicação
Governadores petistas cobraram de Lula uma atuação mais incisiva na segurança pública. A linha defendida por aliados é confrontar as propostas de aumento de penas e mudanças na legislação apresentadas por Flávio com críticas à gestão de Jair Bolsonaro na área policial e à flexibilização do acesso a armas.

Lula concordou que precisa reformular a comunicação sobre segurança, e a cobrança foi recebida como crítica indireta ao ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, tratou do tema diretamente com o ministro, segundo relatos de participantes do encontro.
O presidente também reconheceu falhas na comunicação do primeiro turno e disse que passará a assistir às propagandas eleitorais antes de sua exibição no horário eleitoral. Ele afirmou ainda que falará mais a rádios, sem deixar as agendas nas ruas, enquanto aliados esperam maior presença dele nas redes sociais.
Na reta final, o PT quer reduzir a abstenção, especialmente no Nordeste, região onde Lula obteve seu melhor desempenho. A campanha planeja estimular a ida às urnas de eleitores com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo, e Lula deverá participar de debates televisivos contra Flávio Bolsonaro.