
Professores de Paris e Estrasburgo aderiram nesta terça-feira (6) aos protestos estudantis que se espalharam pela França, cobrando mais investimentos no ensino público, reformas em prédios escolares e contratação de profissionais. De acordo com estimativa dos organizadores, os protestos reúnem mais de 450 mil pessoas na França. Já o Ministério do Interior registra 250 mil manifestantes.
Os atos começaram em setembro nos subúrbios mais pobres de Paris e alcançaram outras regiões do país. A mobilização pressiona o governo do presidente Emmanuel Macron em meio às dificuldades financeiras e aos obstáculos econômicos enfrentados pela França.
Milhares de estudantes protestam em França por melhores condições de ensino, resultando em confrontos e no fecho de mais de 1.800 escolas.
https://t.co/4QHYLoFbHi— Mundo Vivo (@mundo__vivo) October 6, 2026
Na França, os distúrbios continuaram até ontem. As ruas pareciam um campo de batalha. As imagens lembram um país em desenvolvimento: mais de mil escolas fechadas, mais de 4.500 presos e, embora as autoridades queiram negociar, os manifestantes não recuam em suas reivindicações.
Este é o multiculturalismo que a esquerda internacional promove.— Juan Manuel Ríos P (@jmriosp) October 6, 2026
O professor de ciências e representante sindical Erwan Le Clech afirmou que as condições nas escolas pioram há anos. Ele citou a falta de reformas nos edifícios, a construção insuficiente de novas unidades e a escassez de pessoal.
“A onda de protestos mostra claramente que existe um cansaço generalizado com a deterioração das nossas condições de vida na França”, disse Le Clech. Para ele, as reivindicações dos alunos são legítimas porque também atingem o ensino fundamental.
Professores apontam falta de vagas e problemas estruturais
A professora Anne Tritz também relacionou a adesão dos docentes à falta de funcionários nas escolas. “Temos os mesmos problemas no ensino fundamental em relação à falta de funcionários”, afirmou.
Em Créteil, subúrbio de Paris, a professora Caroline Quiniou chamou atenção para o Parcoursup, plataforma usada por estudantes do ensino médio para disputar vagas em universidades e cursos de formação. Ela criticou a falta de perspectivas para parte dos jovens após a conclusão da etapa escolar.
Quiniou afirmou que 20% dos alunos do ensino médio terminaram o processo deste ano sem vaga em nenhum curso. “Isso significa que 20% dos alunos não têm futuro no ensino superior. E isso também é problemático”, declarou.
Organizações de direitos humanos, estudantes e associações de pais acusaram as autoridades de usar força desproporcional contra menores durante os atos. O governo sustenta que pessoas de fora sequestraram o movimento e o transformaram em violência urbana.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu mandou ministros atenderem às principais reivindicações, como substituir professores ausentes, rever a jornada escolar das 8h às 18h, ampliar os intervalos de almoço e avaliar reparos em prédios antigos. Ele cobrou as primeiras propostas até o fim de outubro.