
O jornalista Leonardo Sakamoto afirmou que o ministro André Mendonça, do STF, usou como “arma eleitoral” o depoimento sigiloso do banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente no caso Master. A crítica foi feita durante o UOL News, após o magistrado ouvir o empresário sem a presença da Polícia Federal.
Para Sakamoto, a forma como o depoimento entrou no debate público alimenta a polarização e pode contaminar a investigação. “Nós temos visto o ministro André Mendonça usar um processo de investigação como arma eleitoral. Isso é manipulação eleitoral”, afirmou.
O comentarista defendeu que Vorcaro apresente todas as informações que tiver em uma eventual colaboração, sem escolher alvos. “Se o Vorcaro tem algo contra qualquer uma das pessoas que fazem parte deste ou de qualquer governo, que fale, que coloque”, disse.
Sakamoto citou nominalmente o senador Flávio Bolsonaro e o presidente do PP, Ciro Nogueira, ao argumentar que uma delação não pode selecionar apenas nomes ligados a um lado político. “Não adianta ele falar: ‘Vou entregar o Andrei, vou entregar A, vou entregar B’, e não entregar o Flávio Bolsonaro, e não entregar o Ciro Nogueira”, declarou.

Depoimento teve cerca de 70 páginas e citou Andrei Rodrigues
O depoimento não foi longo e gerou transcrições de aproximadamente 70 páginas. Vorcaro mencionou nominalmente apenas o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A iniciativa integra uma mudança na estratégia de defesa do ex-banqueiro.
Sakamoto também afirmou que o ministro Alexandre de Moraes não deve ser tratado como vítima na disputa interna do Supremo. “Da mesma forma como o ministro Alexandre de Moraes também está longe de ser vítima, ele é ator. Ele é ator do processo”, declarou, antes de defender que Vorcaro “entregue tudo” caso decida delatar.