
O Partido dos Trabalhadores afirma identificar um padrão de ataques contra candidatas da sigla nas eleições de 2026, com ameaças de morte e violência sexual, racismo, exposição de dados pessoais e intimidações dirigidas também a familiares. A direção partidária atribui as ofensivas a grupos masculinistas ligados à extrema-direita.
Na semana passada, três candidatas petistas denunciaram crimes do tipo só em Minas Gerais. Bella Gonçalves, Ana Elisa Silva e Andréia de Jesus registraram boletins de ocorrência por ameaças de morte e estupro em um intervalo de poucos dias. Já na última terça-feira, foi a vez de Ruana Bezerra (PSOL) ser agredida. Durante um ato, ela levou uma pedrada e ficou ensaguentada em Pernambuco.
A secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, disse que os relatos chegam quase diariamente e apresentam características semelhantes. “O que nós estamos vivendo nesta eleição é extremamente grave. As ameaças recebidas por candidatas apresentam muita semelhança e, em alguns casos, foram enviadas pelo mesmo remetente”, declarou ao Metrópoles.
Candidatas do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais, de São Paulo, de Santa Catarina, de Pernambuco e do Piauí estão entre as mulheres que relatam ataques. Para Mazé, as ações buscam expor a vida privada das vítimas, causar medo e pressioná-las a abandonar a disputa eleitoral.
“É uma tentativa de dizer que política não é lugar para mulher. E nós não vamos aceitar isso de jeito nenhum. A violência política contra as mulheres atinge a democracia”, afirmou a dirigente petista.

TSE registra 177 processos de violência política de gênero
O Tribunal Superior Eleitoral registrou 177 processos de violência política de gênero até 22 de setembro de 2026. O número supera em mais de duas vezes os 78 processos contabilizados durante todo o ano eleitoral de 2024, alta de 126,9%.
As mulheres somam 34,85% das candidaturas em 2026: cerca de 7,1 mil dos 20,5 mil postulantes disputam cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Entre os processos registrados pelo TSE, 63 estão no Sudeste, 37 no Sul, 36 no Nordeste, 21 no Norte e 20 no Centro-Oeste.
Em Minas Gerais, a candidata a deputada federal Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, recebeu no início de setembro mensagens por e-mail com conteúdo racista e ameaças de morte e estupro. O autor citou dados pessoais da candidata, ameaçou familiares e se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco.
A Secretaria de Mulheres do PT oferece acompanhamento jurídico às candidatas, acompanha os casos no ambiente digital e mantém interlocução com órgãos responsáveis pela investigação e por medidas protetivas. Mulheres ameaçadas também entram em grupos de WhatsApp para receber apoio e orientações.
A violência política de gênero se tornou crime eleitoral em 2021, com pena de reclusão de um a quatro anos e multa. O Ministério Público Federal registrou outros 34 casos em 2026.
O TSE apresentou neste mês a ferramenta Likeness ID, desenvolvida pelo YouTube, para ajudar candidatas e candidatos a localizar e pedir a remoção de vídeos que utilizem indevidamente suas imagens, inclusive materiais manipulados por inteligência artificial. A Corte também anunciou parceria com a ElevenLabs para prevenir clonagem não autorizada de vozes e rastrear áudios sintéticos.
A Justiça Eleitoral e o Ministério Público Federal lançaram ainda a campanha “Política é Substantivo Feminino”, voltada a informar a população sobre formas de violência praticadas contra mulheres durante o processo eleitoral.