Nota de pesar: Amelinha Teles, Presente!

Foto: Márcio Schimming

Da Página do MST

“Companheira, sua luta não termina. Ela segue em cada mulher que se levanta, se organiza e luta por um mundo sem exploração e sem opressão.”

É com profunda tristeza, mas também com gratidão e compromisso, que nós, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, recebemos a notícia do falecimento de nossa querida companheira Maria Amélia de Almeida Teles, a nossa Amelinha.

Hoje, 15 de setembro de 2026, perdemos fisicamente uma grande lutadora do povo brasileiro. Mas sua história permanece viva na memória, na organização e na luta das mulheres.

Amelinha fez da própria vida uma trincheira de resistência. Desde jovem, esteve ao lado da classe trabalhadora e contra as injustiças. Enfrentou a ditadura empresarial-militar, viveu na clandestinidade, foi presa e barbaramente torturada. Sua família também foi atingida pela violência do Estado. Mesmo assim, não se curvou.

Transformou a dor em luta, a memória em resistência e a violência sofrida em compromisso com a justiça.

Compreendeu que não haverá democracia verdadeira enquanto as mulheres continuarem submetidas à violência, à exploração e à opressão.

Amelinha ajudou a construir o feminismo brasileiro em plena ditadura. Participou do jornal Brasil Mulher, fundou a União Brasileira de Mulheres, esteve na luta pela redemocratização é nas mobilizações do Lobby do Batom, contribuindo para a inclusão dos direitos das mulheres na Constituição de 1988. Também foi referência na construção das Promotoras Legais Populares, formando mulheres para conhecer e defender seus direitos.

Sua trajetória nos ensina que organizar mulheres é tarefa política, formar mulheres é construir poder popular e enfrentar a violência é combater as estruturas do capitalismo, do patriarcado e do racismo.

No MST, sabemos que a luta pela terra também é luta pela vida, pela dignidade e pela emancipação das mulheres. Por isso, sua caminhada dialoga profundamente com a nossa construção: mulheres organizadas, ocupando espaços de decisão, enfrentando a violência e construindo uma sociedade baseada na igualdade, na solidariedade e na justiça social.

Amelinha nos deixa uma tarefa: não deixar a luta morrer.

Não deixar que sua memória seja apagada, que o feminismo seja separado da luta de classes, que os direitos conquistados sejam retirados ou que nenhuma mulher enfrente sozinha a violência.

Hoje, abraçamos as companheiras e companheiros da União de Mulheres de São Paulo, das Promotoras Legais Populares, dos movimentos feministas, populares, organizações de direitos humanos e toda a família de Amelinha.

Recebam nossa solidariedade e o compromisso de que sua história continuará sendo contada, estudada e, principalmente, vivida na luta.

Que sua coragem siga inspirando as mulheres do campo e da cidade, fortalecendo nossa organização e formando novas lutadoras.

Amelinha, companheira, você segue presente!

AMELINHA TELES, PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE! HOJE E SEMPRE!

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