Os houthis atacaram três cidades da Arábia Saudita com mísseis e drones nesta terça-feira (15), em resposta à ofensiva conduzida por Riad dentro do Iêmen. A troca de ataques amplia os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e leva os confrontos a uma das principais rotas de abastecimento do Ocidente.
Segundo as autoridades sauditas, 13 pessoas ficaram feridas em Khamis Mushait, Abha e Taif. Sete residências e dois veículos foram danificados. Alertas de emergência também foram emitidos em Jeddah, Yanbu e Meca, na maior mobilização desse tipo desde que os combates voltaram a se intensificar.
A ofensiva houthi ocorre enquanto o movimento avança pela costa do Mar Vermelho. Na última semana, suas forças tomaram a cidade portuária de Moca e ampliaram o controle sobre Mayyun e as ilhas Hanish Maior e Hanish Menor, posições próximas ao Estreito de Bab al-Mandeb.
O avanço acendeu o alerta em Washington e nas capitais europeias. Com o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz comprometido pela guerra contra o Irã, a Arábia Saudita passou a concentrar suas exportações nos portos do Mar Vermelho. Os navios que seguem para a Europa precisam atravessar Bab al-Mandeb antes de chegar ao Canal de Suez.
Com posições na costa iemenita e em ilhas próximas a Bab al-Mandeb, os houthis ampliam sua capacidade de atingir embarcações ou restringir a passagem pelo estreito.
Estados Unidos e Europa, que já enfrentam aumento dos preços provocado pela guerra, temem que a interrupção simultânea de Ormuz e Bab al-Mandeb provoque uma nova alta do petróleo e pressione ainda mais a inflação.
A escalada começou após a Arábia Saudita intensificar sua intervenção no Iêmen, iniciada em 2015. Segundo os houthis, caças sauditas realizaram cerca de 300 bombardeios contra diferentes regiões do país em cinco dias.
Na segunda-feira (14), o movimento respondeu com dezenas de mísseis e drones contra a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait. O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou que foram atingidos “hangares de aeronaves, sistemas de radar, pistas de pouso e depósitos de munição”.
“As Forças Armadas do Iêmen continuarão suas operações contra concentrações militares sauditas até que a agressão cesse”, declarou Saree. Segundo ele, “qualquer nova agressão será respondida com operações mais amplas e intensas”.