
A escritora e militante feminista Amelinha Teles morreu aos 81 anos nesta terça (15). Uma das sobreviventes da tortura praticada pela ditadura militar, ela se tornou referência na denúncia dos crimes do regime e na defesa dos direitos das mulheres.
Amigos divulgaram a morte de Maria Amélia de Almeida Teles nas redes sociais. Nascida em Contagem, Minas Gerais, ela militou no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e passou a denunciar a repressão estatal durante a ditadura, entre 1964 e 1985.
Em 1972, agentes prenderam Amelinha no DOI-Codi de São Paulo, órgão de repressão política do regime. O major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra a torturou durante a detenção.
Na mesma época, o marido da ativista, César Augusto Teles, e o militante Carlos Nicolau Danielli também chegaram ao DOI-Codi. Amelinha testemunhou o assassinato de Danielli.

Filhos foram levados ao centro de repressão
Os dois filhos de Amelinha, então com 4 e 5 anos, foram sequestrados e obrigados a assistir às torturas sofridas pelos pais. O episódio integrou os relatos públicos da militante sobre a violência da ditadura contra presos políticos e suas famílias.
Depois da redemocratização, Amelinha integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos. A atuação do grupo reuniu parentes de vítimas da repressão e cobrou esclarecimentos sobre os crimes cometidos pelo Estado.
A escritora também transformou sua experiência na prisão em livros. Em “Contos da Cela Três”, reuniu memórias que escreveu em 1973, enquanto permanecia presa.
Amelinha publicou ainda “Breve História do Feminismo no Brasil” e “O Que São os Direitos Humanos das Mulheres?”. As obras abordam a luta feminista e os direitos humanos das mulheres.