
O comentarista da GloboNews Octavio Guedes afirmou nesta quinta (3) que vê uma “tremenda armação” da defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no depoimento em que o empresário acusou a Polícia Federal de tortura psicológica e ameaças durante a prisão. Para ele, a estratégia buscaria atingir o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, em meio ao embate dele com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nesse caso específico do Vorcaro, cheira a uma tremenda armação para agradar o Mendonça. Não que o Mendonça tenha participação nisso, mas é uma estratégia de advogados: ‘O ministro está brigando com o Andrei, vamos lá jogar lama no Andrei’. Isso me parece muito claro”, disse Guedes no “Estúdio i”.
O comentarista afirmou que o magistrado “não tem nada a ver” com a estratégia da defesa e chamou Vorcaro de “picareta” ao questionar a mudança de posição do empresário sobre onde deveria ficar preso. Guedes afirmou que o dono do Banco Master pediu para permanecer sob custódia da Polícia Federal e, depois de ser levado para a Papudinha quando a delação não avançou, voltou a pedir transferência para a PF.
“Ou é síndrome do Estocolmo ficar com quem está te torturando ou é o que eu imagino: um picareta que quis agradar o André Mendonça num momento em que ele está em embate com o Andrei”, completou.
🚨 Octávio Guedes vê armação por trás do depoimento de Vorcaro a Mendonça
Guedes disse que o depoimento de Vorcaro, sem a PF, cheira a uma tremenda armação para agradar André Mendonça, aproveitando o atrito do ministro com o diretor da corporação. pic.twitter.com/JjWgYNU0dw
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Depoimento cita recusas à delação e alegadas ameaças
Vorcaro prestou depoimento gravado em vídeo a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça e a um procurador da República. Ele relatou ter sofrido maus-tratos, tortura psicológica e ameaças veladas para não mencionar fatos ligados à Polícia Federal em uma eventual delação premiada.
O empresário disse acreditar que a PF recusou três vezes sua proposta de delação porque ele poderia citar Andrei. A declaração atribui à corporação uma motivação para não formalizar o acordo, mas não apresenta, no trecho divulgado, uma resposta da Polícia Federal às acusações.
Vorcaro também alegou que agentes teriam vendado seus olhos durante uma transferência entre estabelecimentos prisionais e que ele enfrentou calor dentro de um camburão. Segundo o dono do Banco Master, escoltas teriam dito que ele ficaria preso para sempre caso falasse sobre o diretor-geral da PF.
No depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro comparou sua situação à de Nicolás Maduro, ao afirmar que passou pela mesma experiência do presidente venezuelano quando foi sequestrado pelos Estados Unidos.