VÍDEO: Milei elogia Pinochet e diz que ele transformou Chile em “inveja” regional

Milei
O presidente da Argentina, Javier Milei. Foto: Pilar Olivares/Reuters

O presidente da Argentina, Javier Milei, exaltou nesta quinta-feira (3) o período iniciado pela ditadura de Augusto Pinochet no Chile e afirmou que o país viveu uma fase de “estabilidade e crescimento” após o golpe militar que derrubou Salvador Allende em 1973. A declaração ocorreu durante o V Encontro Regional do Foro Madrid, em Santiago, no Chile.

“Depois da derrubada do comunista Allende, o Chile entrou em um período de estabilidade e crescimento que se estendeu por mais de 40 anos e, graças a isso, o Chile foi, sem dúvida, a inveja em termos econômicos de toda a região”, afirmou Milei. Na sequência, o argentino disse que o país, “apesar de ter conhecido os frutos da liberdade”, posteriormente teria caído naquilo que chamou de “farsa do socialismo do século 21”.

A formulação de Milei engloba os 17 anos da ditadura comandada por Pinochet, entre setembro de 1973 e março de 1990. Dados oficiais do Estado chileno reconhecem 40.175 vítimas de execução política, desaparecimento forçado, prisão política ou tortura durante o período. Um decreto do governo chileno registra ainda ao menos 1.469 desaparecidos, 1.747 executados e 31.856 torturados.

O pronunciamento ocorreu a poucos dias do aniversário do golpe de 11 de setembro de 1973. A disputa em torno da memória da ditadura voltou ao centro do debate recentemente com o projeto da direita chilena para criar um “Museu da Verdade”, concebido para confrontar a narrativa do Museu da Memória e dos Direitos Humanos sobre os crimes cometidos pelo regime.

Milei também aproveitou o discurso para convocar partidos e governos de direita da América Latina a ampliarem sua articulação internacional. “Se eles tiveram sua Internacional Socialista, a direita também tem que se organizar”, afirmou. O argentino acusou a esquerda de ter “colonizado” universidades, meios de comunicação e instituições e disse que seus adversários deveriam ser enfrentados de maneira organizada.

O presidente argentino apresentou a vitória de José Antonio Kast no Chile como parte de uma guinada regional. Segundo Milei, o país “voltou a apostar nas ideias da liberdade” e a América Latina estaria “despertando”. Após o evento, ele se reuniu com Kast no Palácio de La Moneda por cerca de 40 minutos.

A defesa de regimes autoritários não é inédita no discurso político associado a Milei. Na Argentina, seu governo e aliados já foram alvo de críticas pela relativização dos crimes cometidos pela ditadura militar entre 1976 e 1983. Em março, nos 50 anos do golpe argentino, o governo Milei promoveu uma disputa em torno do número de vítimas e desaparecidos. Desta vez, porém, o presidente fez o elogio em território chileno e vinculou diretamente o período iniciado pelo golpe contra Allende a crescimento econômico e “liberdade”.

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