
Patrícia Abravanel acaba de ser exposta por indícios de traição de seu marido, Fábio Faria, que trocou mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro.
As mensagens investigadas dão conta de que as “reuniões” eram regadas a mulheres, para surpresa de ninguém: para essa gente, mulheres são como carros e espumantes caros, que servem para entreter e ostentar.
Segundo os indícios analisados pela PF, funcionários eram mobilizados para prestar assistência ao grupo para “convidados ultra VIPs”. Leia-se: mulheres bonitas para deleite dos poderosos.
Em uma das mensagens investigadas, Faria até combinava detalhes sobre as mulheres que seriam comercializadas para divertirem homens casados, mas indiferentes ao próprio decoro.
“Davi (Alcolumbre) tá louco, perguntando se as suíças vão vir.”
Vorcaro responde: “Se der, vamos trazer”.
A conversa é atribuída à organização de uma festa/reunião na qual o próprio Faria articulava a presença de políticos.
Além de Davi Alcolumbre, outros políticos foram convidados: Arthur Lira, Rodrigo Pacheco e Dias Toffoli estão entre eles.
Fábio não apenas participava das festas, ele as articulava, intermediava as relações entre os poderosos e a contratação de prostitutas estrangeiras.
E por que estrangeiras?
Além do aparente apreço do presidente do Senado por suíças, a estratégia era usar mulheres estrangeiras para encontros íntimos com poderosos que não podiam, por razões óbvias, ser identificados no meio da sujeira. O fato de serem estrangeiras ajudava a evitar que prostitutas brasileiras os reconhecessem e abrissem o bico — material importado, os nojentos diriam.

O que veio a público é mais amplo do que simplesmente “reuniões regadas a mulheres”: as mensagens apreendidas pela PF indicam que Vorcaro mantinha uma estrutura organizada para levar mulheres a festas e eventos, inclusive com autoridades e empresários.
E Faria não estava sozinho na organização: segundo reportagem da Folha, Stheve Lopes, ex-modelo e organizador de eventos, funcionava praticamente como um “fornecedor” de mulheres para as festas de Vorcaro. Ele verificava quem estava disponível, organizava hospedagem, alugava espaços e recebia pagamentos — assim como as mulheres selecionadas, uma espécie de processo seletivo de mulheres, vendidas como objetos de luxo.
Imaginem um país em que políticos e banqueiros têm funcionários para contratarem suas prostitutas? Eis a falência moral do Brasil.
Políticos usam seu dinheiro e poder para comercializarem mulheres em meio a um imbróglio envolvendo um banqueiro e a Polícia Federal. Belo país.
Mas o que de fato interessa dizer é que mulheres são e sempre foram espólio de guerra, as primeiras a serem crucificadas em qualquer crise, sobretudo em uma sociedade que condena mulheres sexualmente livres e passa pano para homens que usam e desrespeitam mulheres.
Mulheres é que são objetificadas e ainda publicamente envergonhadas.
Em outras palavras: sempre sobra pra gente.
Todas são igualmente vítimas: Patrícia Abravanel, exposta por indícios de traição do marido, e as mulheres que animavam as festinhas do banqueiro, ainda que tenham consentido e sido muito bem pagas.
No fim, os indícios de traição não provam apenas que qualquer mulher pode ser envergonhada pelo próprio marido — disso a gente já sabe —, mas demonstram a sujeira moral daqueles que deveriam decorosamente defender nossos interesses.
Para o presidente do Senado, suíças. Para as mulheres, vergonha e escárnio.