
Daniel Vorcaro mantinha um grupo de WhatsApp com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. As conversas, encontradas no celular do banqueiro, tratavam de encontros, viagens e notícias sobre investigações da Polícia Federal.
Ciro criou o grupo em abril de 2024 e o chamou de “Ciro Daniel Fábio Hugo”. O senador ativou uma configuração para apagar as mensagens após 90 dias, o que limita a identificação de todos os encontros combinados pelos participantes ao longo do período.
Os diálogos preservados se concentram entre 20 de agosto e 17 de novembro de 2025, data em que a Polícia Federal prendeu Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos. A corporação ainda pode recuperar mensagens anteriores enquanto analisa o material apreendido.
Em 28 de agosto de 2025, Ciro compartilhou uma notícia sobre a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela PF e pela Receita Federal contra a infiltração do PCC nos setores de combustíveis e financeiro. “Acho que encima (sic) do Beto”, escreveu o senador, em referência a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, suspeito de comandar um esquema de lavagem de dinheiro e fraude.
Conversas combinaram viagem, jantar e uso de aeronave

No mesmo dia em que Ciro enviou a notícia sobre a operação, os quatro organizavam uma viagem em uma aeronave de Vorcaro, sem destino informado nas mensagens. “Avisa quando tiverem indo hangar”, escreveu o senador. Fábio Faria respondeu: “To indo agora”.
Faria também tentou reunir o grupo em um jantar de aniversário marcado para 4 de setembro de 2025, seguido de uma viagem para Trancoso. Ele descreveu a programação como um encontro com a família, filhos e “amigos de vida”; Vorcaro respondeu que já estava comprometido com a agenda, “óbvio”.
O jantar não ocorreu porque Ciro e Motta disseram que poderiam ter compromissos ligados à posse de Carlos Brandão no Superior Tribunal de Justiça. Em outra conversa, na noite da prisão de Vorcaro, Faria encaminhou uma notícia sobre uma proposta do grupo Fictor para comprar o Banco Master e escreveu: “Parabéns irmão”. Cerca de três horas depois, agentes federais abordaram o banqueiro.
Vorcaro mantinha relações comerciais e políticas distintas com os integrantes do grupo. A Polícia Federal apontou indícios de que Ciro atuou em favor de interesses do Banco Master no Congresso; a investigação apura a suspeita de pagamentos mensais de R$ 350 mil em espécie ao senador. Ciro, Motta e Faria não comentaram as conversas, e a defesa de Vorcaro também não respondeu.