Abin alerta Europa sobre interferência dos EUA nas eleições

Bolsonaristas com boneco de Trump na Avenida Paulista. Foto: reprodução

Representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alertaram autoridades da França e da Alemanha sobre suspeitas de interferência dos Estados Unidos e da Rússia nas eleições brasileiras de 2026, durante uma visita de delegações europeias a Brasília neste mês. O primeiro turno está marcado para domingo (4), em uma disputa que pesquisas apontam como acirrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Um relatório elaborado por participante das reuniões, consultado pela Reuters, registra que integrantes da Abin afirmaram que a suposta atuação estadunidense iria “da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente”. O documento não detalha a alegada ingerência russa.

A visita ocorreu entre 9 e 11 de setembro e reuniu autoridades brasileiras com uma delegação da União Europeia. Os encontros discutiram a aplicação da Lei de Serviços Digitais do bloco, que impõe às plataformas digitais medidas contra conteúdos ilegais e nocivos.

O planejamento da delegação também previa “preparar respostas coordenadas antes das eleições de 2026”. Participaram representantes franceses da Viginum, agência dedicada à detecção de desinformação estrangeira, e da Arcom, reguladora de mídia e comunicações, além de autoridades da Agência Federal de Redes da Alemanha.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. Foto: reprodução

Estados Unidos negaram tentativa de interferência

O Departamento de Estado dos Estados Unidos não respondeu ao pedido de comentário da Reuters sobre as reuniões. Em manifestações anteriores, o órgão negou que Washington tente interferir na eleição brasileira. A Abin e a embaixada da Rússia em Brasília também não responderam à agência.

Moscou já havia negado interferências em eleições de outros países. A Agência Federal de Redes da Alemanha declarou que uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições alemãs não entrou na discussão realizada em Brasília.

A preocupação brasileira e europeia ocorre enquanto o governo Donald Trump manifesta apoio a candidaturas de direita em outros países. A Reuters citou o pacote de socorro que pode chegar a US$ 40 bilhões à Argentina antes das eleições legislativas e a viagem do vice-presidente J.D. Vance à Hungria em apoio ao ex-primeiro-ministro Viktor Orbán.

Uma alta autoridade brasileira da área cibernética, que participou da reunião e falou sob condição de anonimato, afirmou que os ataques cibernéticos no Brasil quase dobraram em relação a 2025. A fonte também relatou aumento de invasões e tentativas de phishing contra a Presidência da República, que associou ao período eleitoral.

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