O advogado que comanda a estratégia jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) mantém laços profissionais históricos com o entorno direto do ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Documentos judiciais apurados pelo jornalista Paulo Motoryn, em reportagem publicada nesta quarta-feira (30) pelo ICL Notícias em parceria com a newsletter Noites Húngaras, mostram a atuação conjunta do criminalista Tracy Joseph Reinaldet dos Santos com a advogada Karine Nunes Marques, irmã do magistrado, e com Otto Medeiros de Azevedo Júnior, amigo pessoal do ministro.
A relação com Otto Medeiros é de tal proximidade que o próprio Nunes Marques já se declarou impedido de atuar em processos do Supremo Tribunal Federal (STF) em que o advogado representa partes envolvidas, como registrado formalmente na Petição 8.411. Em nota oficial emitida em agosto e repercutida pelo jornal O Estado de S. Paulo, o gabinete do ministro confirmou o vínculo de amizade, embora tenha negado a existência de sociedade formal entre eles.
Apesar do magistrado reconhecer a suspeição no STF por conta desse laço pessoal, a situação na Justiça Eleitoral é uma fissura viva na ordem jurídica. O TSE é presidido desde maio por Nunes Marques, período em que representações da campanha de Flávio Bolsonaro vêm obtendo decisões monocráticas céleres e favoráveis à candidatura do PL. O jurídico do candidato é estruturado por Reinaldet, colega de bancas de defesa com a irmã e o amigo do ministro.
A apuração de Motoryn levantou peças de grande repercussão em que Reinaldet, Otto e Karine atuaram juntos, como na defesa de Walter Faria, dono da Itaipava e no habeas corpus de 2022 que anulou escutas e absolveu o empresário e Marcos Valério.
A confluência ganha contornos específicos no Supremo, onde Nunes Marques é o relator da Petição 16.220, uma notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual Tracy Reinaldet figura como advogado do senador.
Enquanto a rede de relações profissionais e familiares consta em registros de tribunais superiores, os desdobramentos operacionais se refletem nas decisões do pleito. Na segunda-feira (28), o presidente do TSE deferiu medida liminar requerida pela campanha de Flávio contra ato de Lula e Geraldo Alckmin ocorrido em Teresina. A decisão determinou a retirada, em 24 horas, da íntegra da transmissão do comício do YouTube e vetou a utilização de painéis de LED no palco, sob pena de multa diária.
A medida ocorreu logo após outra intervenção da corte eleitoral, na qual o mesmo ministro suspendeu a veiculação de um jingle da campanha de Lula que mencionava apurações envolvendo o filho do ex-presidente, sob a justificativa de descontextualização das investigações. Episódios anteriores acompanhados por veículos como G1, O Globo e CartaCapital incluem a suspensão temporária de pesquisas eleitorais favoráveis à oposição e a reativação célere de filiações partidárias do candidato bolsonarista.
Embora não existam contratos de sociedade vigentes entre o escritório de Reinaldet e os profissionais ligados ao ministro para o pleito corrente, tampouco declaração de impedimento no âmbito eleitoral, a sobreposição de atuações reforça a centralidade das articulações jurídicas nas disputas de 2026.
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Flávio Bolsonaro foi um dos principais articuladores da indicação de Kassio Nunes Marques ao STF em 2020, consolidando um histórico de convergências que agora alcança o centro das decisões da Justiça Eleitoral.