
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), alfinetou o colega André Mendonça nesta quarta (30), ao falar sobre “vazamentos seletivos” e “atuação político-eleitoral” de investigações durante uma homenagem ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Gilmar não mencionou Mendonça pelo nome. As declarações ocorreram na sessão plenária que marcou o primeiro ano de Fachin na presidência do STF e retomaram divergências entre os dois ministros em processos da Operação Lava Jato.
“Naqueles casos, divergimos com frequência sobre questões centrais da operação, como é natural em um colegiado. Nossos votos apontaram muitas vezes em sentidos opostos, a partir de compreensões distintas sobre o processo penal. Essa divergência, porém, jamais alcançou aquilo que nos unia: a convicção de que o juiz não é parte, nem instrumento de causa alguma”, disse o decano.
Na sequência, ele citou indiretamente o vazamento de informações sigilosas no caso Master. “Naquela quadra, ministro Fachin, não houve notícias de vazamentos seletivos em nossos gabinetes, apesar da sensibilidade dos documentos que estavam sob nossa responsabilidade, tampouco qualquer ato que pudesse indicar uso político-eleitoral das investigações”, prosseguiu.
Ao homenagear um ano de Fachin na presidência do Supremo, Gilmar Mendes critica “vazamentos seletivos”. Confira.
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— GloboNews (@GloboNews) September 30, 2026
Críticas retomam embate sobre conduta de ministros
Gilmar já havia usado acusações de vazamentos e de atuação eleitoral contra Mendonça durante a sessão extraordinária que discutiu condutas do ministro Alexandre de Moraes e a possibilidade de abertura de uma investigação.
Na ocasião, o decano afirmou que Mendonça atuava com “inequívoco viés eleitoral” no caso Master. “Escolha de data, 7 de Setembro, todo esse cenário envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”, declarou.
A discussão começou após divergências sobre a condução do processo, a competência da Presidência da Corte e a atuação da Polícia Federal. Antes do bate-boca entre Gilmar e Mendonça, Alexandre de Moraes também detonou o colega, dizendo que ele tentou incluí-lo numa investigação da corporação.