O debate promovido pela TV Globo na noite de terça-feira (29) expôs o acirramento da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. De um lado, João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife, alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva; do outro, a governadora Raquel Lyra (PSD), emparedada a prestar contas de um pífio governo, sem marcas sociais relevantes e sob forte cobrança pelo entorno bolsonarista que a cerca. Ivan Moraes (PSOL), com 1% nas intenções de voto, ocupou o terceiro púlpito sem alterar o eixo do confronto.
Com as pesquisas mais recentes da Quaest apontando um empate técnico de 42% a 42%, João Campos dominou a cena e partiu para ofensiva política, enquanto a adversária buscava proteção na retórica defensiva da “herança sucateada”.
Zero entregas e orçamento bilionário
O momento mais marcante da noite ocorreu quando João Campos confrontou a governadora com o dinheiro do orçamento estadual acumulado e a ausência de obras públicas entregues à população. Ele cobrou a falta de inaugurações de UPAs, escolas técnicas ou delegacias da mulher ao longo de quatro anos e deslocou Raquel Lyra para o terreno da prestação de contas.“Você imagina o que é fazer a gestão de mais de R$ 240 bilhões de recursos do Estado e não inaugurar nenhum equipamento, desse? ”, disparou Campos.
Raquel Lyra tentou vincular João à gestão anterior do PSB, mas a governadora ouviu uma resposta firme: “Candidata, o candidato aqui sou eu: muito prazer, João Campos! Candidata, você não fez nenhuma escola técnica. O PSB fez mais de 50. Candidata, você não fez nenhuma UPA. O PSB fez mais de 28 UPAs. Agora, o candidato aqui sou eu. Candidato ao governo pela primeira vez. Fui prefeito do Recife e tive a oportunidade de fazer muito.”
Segurança Pública e o avanço das facções
No bloco sobre segurança, Raquel Lyra buscou transferir a responsabilidade da violência para as Guardas Municipais. João Campos rebateu com dados e apresentou compromissos concretos do plano de governo estadual. “O CV e o PCC entraram em Pernambuco. Nós vamos enfrentá-los e nomear mais de oito mil policiais estaduais.”
O ex-prefeito reafirmou a gravidade do cenário atual e reforçou o compromisso com a reconstrução da segurança: “Vocês são testemunhas, o Comando Vermelho e o PCC, infelizmente, entraram em Pernambuco. Nós vamos enfrentar essa realidade. Vamos lançar o pacto anti-facções, nomear mais de 8 mil policiais e aumentar o efetivo da Polícia Civil.”
Desmontando o marketing do “novo”
Enquanto o marketing da governadora tenta pintá-la como uma novidade que rompe com o passado, João Campos lembrou a longa trajetória da adversária na mesma árvore política da qual hoje se diz opositora. “Ela fala muito do PSB, mas vocês sabiam que o partido em que ela passou mais tempo filiada na vida foi o PSB? Vocês sabiam que ela já pediu voto para Paulo Câmara? Pode ver na minha rede, estou postando uma foto dela pedindo voto para Paulo Câmara. Ela foi duas vezes deputada estadual pelo PSB, o número dela era 40789.”
Lula no centro da disputa e a aliança com a esquerda
João Campos não deixou margem para ambiguidades sobre o apoio a Lula. “Eu e o Ivan apoiamos Lula de verdade. Mas há uma candidatura aqui que está com todo o bolsonarismo no seu entorno.”
Raquel Lyra pediu direito de resposta, negado pela mediação da TV Globo. O alinhamento das forças progressistas em Pernambuco passa diretamente pela composição majoritária. João renunciou à Prefeitura do Recife para disputar o Governo do Estado, passando o comando da capital para o seu vice, Victor Marques (PCdoB), consolidando a união do PSB e PCdoB no projeto de desenvolvimento e combate às desigualdades no estado.