Não haverá empate entre Mendonça e Moraes. Por Moisés Mendes

André Mendonça e Alexandre de Moraes
André Mendonça e Alexandre de Moraes. Foto: Luiz Silveira/STF

Mesmo que se confirme a hipótese improvável de um acordão, em que as coisas seriam acomodadas dentro e fora do Supremo, não há como André Mendonça e Alexandre de Moraes saírem empatados das situações em que se meteram.

Mesmo que o Supremo não faça nenhum movimento no encaminhamento de punições ou de medidas de contenção que atinjam os dois, não haverá como o duelo terminar empatado. Nem mesmo se hoje for anunciado que tudo continuará no mesmo lugar.

Não há como manter nada como está. Um acordão, algo inimaginável, ou alguma iniciativa que signifique a preservação de Mendonça e Moraes não levarão a um empate. Mendonça e Moraes não participam de uma guerra que possa terminar com trégua para que ninguém saia vencedor, até porque também as tréguas têm derrotados.

Um deles será derrotado, e o outro ficará pelo menos sequelado. Um deles será o grande perdedor. Um dos dois ministros será visto como o que perdeu a guerra porque o outro conseguiu subjugá-lo no que importava.

Como? É o que veremos mais adiante, a partir do pedido de Mendonça para que o relatório da PF com as denúncias contra Moraes seja analisado pelo plenário do STF.

O presidente do STF, Edson Fachin, vai decidir quando o julgamento será marcado, se é que será. A decisão de Mendonça de liberar o processo para julgamento foi publicada neste domingo. Os ministros irão decidir se o relatório tem validade e se é o caso de autorizar a abertura de investigação contra Moraes.

Já nesse julgamento um deles será fragilizado, se o relatório tiver ou não validade reconhecida. E se for considerado nulo, como deseja o procurador-geral da República, Paulo Gonet? Se for levado adiante e Moraes virar investigado?

Paulo Gonet
O procurador-geral da República, Paulo Gonet. Foto: Alejandro Zambrana/STF

Como fica Gonet, também citado nas conversas de Vorcaro e igualmente sob suspeita? E se, depois do julgamento, o imbróglio continuar, com o embate das forças políticas que dão suporte a um e outro?

Fachin já anunciou: “Faremos o que é certo. No tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”. O certo para a turma de Mendonça não é o mesmo certo para os que se agrupam em torno de Moraes.

O certo, desde a ascensão do bolsonarismo, pode ser tudo que é visto como errado, dependendo do ponto de vista de um fascista e de um democrata.

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