A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a retirada de duas publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) relacionadas a uma declaração feita pelo petista sobre exames preventivos de saúde.
A fala de Lula ocorreu durante um evento em Belém (PA), na segunda-feira (28), quando o presidente abordou a resistência de homens em realizar exames para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Na ocasião, ele afirmou que “o homem não gosta de toque” e que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”.
Durante o discurso, Lula mencionou a realização da primeira cirurgia robótica de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região Norte e defendeu a importância do diagnóstico precoce da doença. Ele também relatou a morte de sua mãe, Dona Lindu, em decorrência de câncer uterino, na década de 1980.
A declaração provocou reação de Nikolas Ferreira nas redes sociais. Em uma das publicações, o deputado escreveu: “Menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula!!!!”. Em outra, questionou a declaração do presidente e associou a fala a uma interpretação de caráter sexual.
Na representação encaminhada ao TSE, a campanha de Lula afirma que o presidente se referia a exames ginecológicos preventivos realizados por mulheres e que Nikolas teria apresentado a declaração de forma descontextualizada. Segundo os advogados da campanha, o deputado teria acrescentado aos comentários referências que não foram feitas pelo presidente.
O documento afirma ainda que a interpretação apresentada pelo parlamentar teria atribuído à fala de Lula um sentido diferente daquele expresso durante o discurso. A campanha pede, por isso, que as publicações sejam retiradas do ar.
A controvérsia ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 e envolve dois candidatos: Lula, que busca a reeleição, e Nikolas Ferreira, candidato à Câmara dos Deputados.
Até a publicação da matéria, o TSE ainda não havia divulgado decisão sobre o pedido da campanha.
Desespero
A tentativa de Nikolas Ferreira, conhecido por criar narrativas duvidosas e já condenado por transfobia, reflete a angústia bolsonarista para tentar recuperar a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), que teria sido vítima de fake news relacionada aos católicos e Nossa Senhora Aparecida.
Nesta semana, vídeos em que o presidenciável teria dito que destituiria Nossa Senhora do título de padroeira do país voltaram a circular nas redes sociais. Em substituição à santa negra, o novo eleito para o cargo seria Jesus.
A polêmica ficou ainda maior quando a campanha de Flávio pediu a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet. “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”, publicou.
O humorista, no entanto, não citou nominalmente o presidenciável. Ainda assim, teve o post derrubado Judiciário.

Vale ressaltar ainda que a educação sexual de crianças e adolescentes não é uma das prioridades defendidas por Ferreira.
Em abril, o deputado cusou professores de exibirem pornografia em sala de aula sem apresentar qualquer prova. Além de repudiar, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) pediu que o parlamentar fosse responsabilizado.
*Com informações do Estadão.
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