
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), estuda prolongar seu impedimento nos processos sobre o Banco Master após a divulgação de mensagens que sugerem favores do banqueiro Daniel Vorcaro ao magistrado, segundo a Folha de S.Paulo. Até então, o magistrado tratava o afastamento como uma medida temporária, ligada à sua presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em setembro, Kassio deixou de participar da sessão em que o STF discutiria a abertura de investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. Ele alegou que não poderia atuar em julgamentos com impacto eleitoral enquanto comandasse a corte responsável pela organização do pleito.
Naquele momento, o ministro sinalizou a interlocutores que poderia voltar ao caso após as eleições. Agora, avalia manter-se afastado por mais tempo, em meio à possibilidade de pedidos de suspeição no Supremo.
Reportagem da revista Piauí, publicada nesta quinta (15), afirmou que Vorcaro teria custeado uma festa com garotas de programa para Kassio em um tríplex do ex-banqueiro no Itaim Bibi, em São Paulo, em 28 de fevereiro de 2025. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicariam gastos de R$ 27 mil e a participação de sete pessoas na organização.

Kassio nega contato com Vorcaro e cita voto pela prisão
Kassio alegou que “nunca trocou mensagens” com Vorcaro e “nem pediu nada” ao banqueiro. O ministro afirmou também que não autorizou ninguém a falar em seu nome e que não pode responder por conversas ou condutas de terceiros.
O magistrado disse que jamais votou a favor de Vorcaro no STF e lembrou que se manifestou pela manutenção da prisão preventiva do ex-banqueiro em julgamento da Segunda Turma, em junho.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal também citam pagamentos do Banco Master ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, por uma consultoria. Durante a sessão de setembro, Kassio rebateu a informação: “Meu filho nunca prestou serviço ao banco e nem foi remunerado pelo banco. Isso é fato, meu sigilo já foi quebrado.”
Ministros próximos a Alexandre de Moraes defendem que o impedimento de Kassio se torne definitivo e que ele seja investigado no caso Master. Nesta semana, o presidente do STF, Edson Fachin, cobrou do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o envio de todas as menções a integrantes da corte nos relatórios sobre o banco; a corporação ainda não definiu prazo para encaminhar o material.