ICE detém mulher de eleitor de Trump e abala apoio de anos ao MAGA

Brent Jindra e Galina Bobreneva juntos na Califórnia
Brent Jindra e Galina Bobreneva juntos na Califórnia. Foto: Reprodução

Brent Jindra, vendedor do setor de tecnologia que votou três vezes em Donald Trump, passou a criticar a política migratória do presidente dos Estados Unidos depois que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) detiveram sua mulher, Galina Bobreneva, em um aeroporto da Califórnia. Cidadã russa com um pedido de residência em análise, ela passou 16 dias sob custódia e deixou o centro de detenção após pagar fiança de US$ 35 mil, cerca de R$ 182 mil. Com informações de Folha de S.Paulo.

Agentes à paisana abordaram Bobreneva em 13 de julho de 2026, logo após o casal desembarcar de um voo de San Francisco para Burbank. Jindra afirmou que apoiava a agenda migratória de Trump por acreditar que ela se concentraria em criminosos e pessoas que entraram clandestinamente no país. “Nunca houve um mandato para este presidente calibrar a mira a e começar a perseguir pessoas que entraram legalmente”, disse.

O Departamento de Segurança Interna classificou Bobreneva como “uma estrangeira ilegal” e afirmou que ela permaneceu nos Estados Unidos além do prazo autorizado. “Para deixar claro, autorização de trabalho ou um pedido pendente NÃO conferem status legal nos Estados Unidos”, declarou a agência. O advogado do casal, Patrick Valdez, sustenta que ela nunca esteve em situação migratória irregular.

Bobreneva entrou nos Estados Unidos com visto de turista no fim de 2021, obteve duas prorrogações após a invasão da Ucrânia pela Rússia e pediu asilo em 2022. Ela conheceu Jindra em março de 2025 e se casou com ele em dezembro. Em abril de 2026, o americano apresentou um pedido para patrocinar o green card da mulher com base no casamento, recebeu a confirmação de que a solicitação havia sido aceita e acompanhou a coleta das digitais dela.

Detenção em Adelanto e denúncias sobre as condições

Pessoas e agentes de segurança em uma rua nos Estados Unidos
Pessoas e agentes de segurança reunidos em uma rua nos Estados Unidos. Foto: Reprodução

Durante a abordagem no aeroporto, Bobreneva apresentou aos agentes os documentos relacionados ao processo migratório, mas acabou algemada e levada para uma unidade do ICE. Após passar uma noite no chão de uma cela no centro de Los Angeles, ela seguiu acorrentada para o centro de detenção de Adelanto, no deserto de Mojave. “Eu me senti como um pedaço de carne, não como um ser humano”, afirmou.

Bobreneva relatou privação de sono, escassez de água potável, chuveiros quebrados e dificuldade para obter atendimento médico. O GEO Group, empresa que administra o centro, não comentou as acusações e encaminhou as perguntas ao ICE. A Segurança Interna negou condições inadequadas e declarou que os detidos recebem refeições, água, tratamento médico e oportunidades de contato com familiares e advogados.

Valdez pediu uma audiência de fiança, e Bobreneva deixou Adelanto em 29 de julho mediante o pagamento de US$ 35 mil. Ela saiu com uma tornozeleira eletrônica e restrição de deslocamento. Jindra, que deixou de se considerar um patriota MAGA após a prisão, criticou a inclusão da mulher na campanha de deportações: “Ela não pulou um muro, não atravessou um rio a nado. Ela entrou pela grande e bela porta da frente de Trump”.

Bobreneva compareceu com o advogado a uma unidade do ICE em San Francisco em 5 de agosto e recebeu instruções para retornar em 7 de setembro. A primeira audiência no tribunal está marcada para 22 de outubro, e o processo poderá levar meses. Enquanto aguarda uma decisão, ela permanece com a tornozeleira e só pode circular dentro de um raio de 75 milhas.

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