
O governo de Donald Trump tem pressionado o Brasil a restringir sua capacidade de fechar acordos comerciais com outros países e a conceder vantagens tarifárias exclusivas aos Estados Unidos, segundo o Valor Econômico. Uma fonte da Esplanada dos Ministérios afirmou que representantes de Washington “não entendem” a recusa brasileira em aceitar essas condições.
O governo Lula já teria informado aos estadunidenses, em diferentes ocasiões, que não pretende abandonar negociações de livre comércio com terceiros nem conceder reduções tarifárias destinadas exclusivamente aos Estados Unidos. A exigência também alcançaria a capacidade do Mercosul de celebrar novos acordos comerciais. Os detalhes dessa cobrança não foram apresentados publicamente pelo governo Trump e, até esta sexta-feira (28), a descrição das condições partia de interlocutores brasileiros ouvidos pelo Valor.
A negociação terá uma nova rodada na próxima semana. O chanceler Mauro Vieira e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, devem conversar com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. O MDIC confirmou oficialmente a retomada das negociações depois do telefonema entre Lula e Trump em 21 de agosto, com o acerto da nova reunião no mesmo dia.

A discussão ocorre depois de Washington impor, em julho, novas sobretaxas a produtos brasileiros com base em duas investigações conduzidas pela Seção 301 da legislação estadunidense. Segundo dados oficiais do MDIC, as medidas atingem aproximadamente 23,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Outros 52,7% dos embarques permanecem sem as sobretaxas adicionais setoriais ou específicas adotadas nessas investigações.
Brasília também acompanha a reação do Canadá às pressões comerciais de Trump. O governo canadense anunciou medidas de reciprocidade depois de rejeitar condições apresentadas pelos Estados Unidos que, segundo Ottawa, restringiriam sua capacidade de negociar com outros países. O confronto levou o Canadá a anunciar retaliação a produtos estadunidenses a partir de setembro.
Integrantes do governo Lula avaliam que a reação canadense reforça a possibilidade de o Brasil recorrer à reciprocidade, embora nenhuma nova retaliação tenha sido anunciada. A estratégia brasileira, neste momento, é tentar restringir a negociação com Washington às relações tarifárias e comerciais entre os dois países, sem aceitar compromissos que limitem acordos do Brasil e do Mercosul com outras economias.