MP investiga acidente após jovem perder movimentos em montanha-russa do Hopi Hari

Júlia Bossoni, vítima do acidente na montanha-russa do Hopi Hari. Reprodução

O Ministério Público de São Paulo investiga o acidente que deixou Júlia Bossoni com perda de movimentos após ela andar na Montezum, montanha-russa do Hopi Hari, em Vinhedo, no interior paulista. A família entrou na Justiça para pedir uma perícia que esclareça as circunstâncias do episódio.

Júlia visitou o parque com João Pedro Bossoni, saindo de Londrina, no Paraná. O casal usou duas vezes a atração no mesmo dia; na segunda passagem, no fim da tarde, câmeras registraram a jovem consciente durante a subida, mas ela retornou à plataforma desacordada e em convulsão.

Funcionários do parque colocaram Júlia em uma maca seis minutos depois da chegada do carrinho à plataforma. Ela seguiu para a Santa Casa de Vinhedo, onde médicos identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral e a encaminharam à UTI.

O neurocirurgião Victor Batistela realizou uma craniectomia descompressiva, cirurgia que retira parte da calota craniana para dar espaço ao inchaço do cérebro. O laudo médico apontou traumatismo cranioencefálico por mecanismo de contragolpe, associado a movimentos de aceleração, desaceleração e rotação da cabeça durante o percurso.

Outros relatos de lesões na Montezum

Júlia ficou 57 dias internada em Vinhedo e já passou por sete cirurgias. Ela perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e enfrenta dificuldades de fala e de memória. “Ela perdeu o movimento do lado esquerdo completamente. O braço e a perna, ela não movimenta. Ela tem dificuldade de fala, memórias turvas”, disse João Pedro.

Ficheiro:Montezum.jpg – Wikipédia, a enciclopédia livre
Montanha Montezum. Imagem: reprodução

O Ministério Público pediu uma perícia policial na atração após abrir a investigação sobre o caso. A apuração ainda está em andamento e busca verificar as condições da montanha-russa no momento do acidente.

A professora Nathalia Assenjo Motta relatou ter sofrido lesões na região cervical ao andar na Montezum em 2018. Ela afirmou que sentiu o pescoço fazer “o mecanismo de chicote” e precisou colocar 12 pinos e duas hastes na cervical; o Hopi Hari pagou indenização por danos materiais.

Márcio, um motoboy que andou na atração em 2014, ficou tetraplégico após romper duas vértebras e morreu em 2023 por complicações de uma infecção urinária. Em uma plataforma de consumidores, há ao menos 40 relatos recentes de visitantes que citam dores no pescoço, lesões no joelho e fraturas após usar a montanha-russa.

Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum tem certificação internacional do grupo TÜV Nord, passa por inspeções anuais e segue normas nacionais de segurança. O parque declarou que prestou atendimento a Júlia, custeou despesas durante a internação em Vinhedo e disponibilizou seguro à família; também citou parecer do Ministério Público que não identificou risco coletivo ou defeito sistêmico na atração.

O parque informou que mais de 470 mil pessoas utilizaram a Montezum no período citado na nota e classificou as reclamações como estatisticamente irrisórias. A direção também anunciou uma reforma na montanha-russa para o fim de 2026, enquanto Júlia segue em reabilitação com fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento fonoaudiológico.

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