
O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro policiais militares acusados de integrar um esquema de segurança particular para dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia foi apresentada pelo Gaeco e pela Promotoria de Justiça Militar em 26 de agosto e será analisada pela Justiça Militar paulista. Com informações da CNN Brasil.
A acusação representa um novo estágio. Em maio, a Corregedoria da Polícia Militar indiciou os mesmos quatro agentes após investigar a prestação de segurança privada a dirigentes da Transwolff. Agora, cabe à Justiça decidir se recebe a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Foram denunciados o tenente-coronel José Henrique Martins Flores, o capitão Alexandre Paulino Vieira, o segundo-sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e o terceiro-sargento da reserva Nereu Aparecido Alves. Segundo o MPSP, Vieira coordenava o núcleo, organizava escalas e fazia a interlocução com os empresários, enquanto Martins Flores cuidava da estrutura administrativa e financeira.
Os dois sargentos teriam atuado diretamente na segurança e no recrutamento de outros policiais. A investigação afirma que o esquema começou em 2020 e continuou mesmo depois de alertas internos e de operações que passaram a investigar as relações da Transwolff com o crime organizado.

Os quatro foram denunciados por organização criminosa. O tenente-coronel e o capitão também são acusados de exercício de comércio por oficial. Nereu responde ainda por lavagem de dinheiro após a apreensão de R$ 1,18 milhão em espécie em sua residência durante uma operação. A origem desse dinheiro é contestada pela defesa.
A defesa do capitão Alexandre Paulino Vieira afirma que ele é inocente e nunca integrou organização criminosa. Advogados de Nereu sustentam que os R$ 1,18 milhão pertenciam ao empresário Ricardo Barnabé e que foram apresentados documentos para demonstrar a procedência dos valores. A Transwolff também rejeita qualquer associação da empresa com o PCC.
A apresentação da denúncia não significa condenação. A Justiça Militar ainda deverá decidir sobre o recebimento da acusação e sobre pedidos de prisão formulados pelo Ministério Público. Caso a denúncia seja aceita, os policiais poderão contestar as imputações e apresentar suas defesas ao longo do processo.