
Em editorial publicado nesta quarta-feira (23), o Estadão analisa o caso em que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou pessoalmente com o miliciano Robson Calixto (“Peixe”) o repasse de quase R$ 200 mil de emenda parlamentar em troca de vantagens indevidas. “Peixe” foi condenado pelo STF a 9 anos por participação no assassinato de Marielle Franco.
O texto critica a resposta protocolar de Flávio, que não explicou sua proximidade com milicianos, e lembra que essa relação vem desde 2003, incluindo o emprego de familiares de Adriano da Nóbrega em seu gabinete. O Estadão, que outrora defendeu o bolsonarismo, alerta: a candidatura de Flávio embute o “risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República”. Leia trechos do editorial do Estadão:
Este jornal informou na primeira página de sua edição de ontem que, em 2023, uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou pessoalmente com o miliciano Robson Calixto, vulgo “Peixe”, o repasse de quase R$ 200 mil provenientes de emenda parlamentar em troca de vantagens indevidas.
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Ocorre que Flávio não só é candidato, como tem boas chances de ser eleito. E “Peixe”, definitivamente, não é um ilustre desconhecido do sistema de Justiça.
Em fevereiro deste ano, por unanimidade, “Peixe” foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a nove anos de prisão em regime fechado por ter participado do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.
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É extremamente preocupante, para dizer o mínimo, que um candidato à Presidência da República tenha mantido vínculo tão próximo com um criminoso de sangue até pouco tempo atrás. Para piorar, confrontado com um fato dessa gravidade, Flávio se limitou a dar uma resposta protocolar, afirmando, por meio de nota, que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente” e que a responsabilidade pela prestação de contas é de quem recebe os recursos, não do parlamentar. Sobre o fato mais escabroso – a proximidade entre o senador e um miliciano condenado –, Flávio não deu uma satisfação sequer aos eleitores.
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Recorde-se que, em 2007, Flávio subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para legitimar as milícias como um “novo tipo de policiamento”. Na ocasião, o então deputado estadual reduziu os crimes praticados por milicianos – não raro policiais e bombeiros corruptos – a “casos isolados”.
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Mas o grupo criminoso que ergueu em Rio das Pedras, envolvido no assassinato de Marielle Franco, sobreviveu a ele – e agora volta às páginas do jornal pela negociação do tal “Peixe” e a assessora de Flávio Bolsonaro.
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Cada eleitor tem a liberdade assegurada pela Constituição para dar seu voto a qualquer candidato regularmente registrado na Justiça Eleitoral. Mas que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República.
EDITORIAL | Flávio e a sombra dos milicianos – “Que todos estejam cientes de que, dado o histórico, a candidatura de Flávio Bolsonaro embute o risco da ascensão das milícias ao topo do poder da República”. Leia o texto completo em @opiniao_estadao → https://t.co/ch9EwgsGej pic.twitter.com/J6b6Wsb0Rp
— Estadão 🗞️ (@Estadao) September 23, 2026