
O vice-presidente da Bolívia, Edmand Lara, afirmou nesta sexta-feira (2) que teme por sua vida e denunciou a existência de um suposto plano para prendê-lo com base em acusações forjadas. Em comunicado divulgado em Madri, na Espanha, ele diz ter recebido alertas de pessoas ligadas ao próprio aparato estatal.
“Temo por minha integridade física e por minha vida”, afirma Lara no documento. Segundo ele, as advertências teriam partido de pessoas próximas ao Executivo e buscariam intimidá-lo por suas posições “em defesa da Constituição e da democracia”.
O vice-presidente também afirma ter sido procurado por integrantes da Polícia Boliviana que o alertaram sobre uma suposta operação para construir um processo criminal contra ele. Lara cita nominalmente o coronel Marcelo Ferrufino, chefe de Inteligência da Polícia, que, segundo a denúncia, estaria preparando “um caso falso” para justificar sua prisão.
Lara vai além e afirma que haveria um plano para plantar provas e vinculá-lo a crimes que diz nunca ter cometido. “Tratar-se-ia de uma armação com fins políticos para me calar”, escreveu.

A denúncia ocorre em meio ao aumento da tensão política na Bolívia e a prisões realizadas durante o governo do presidente Rodrigo Paz. As movimentações no país também despertam questionamentos sobre a influência dos Estados Unidos no sistema de Justiça boliviano e sobre uma possível ofensiva contra setores considerados independentes do Judiciário.
No comunicado, Lara afirma que qualquer processo aberto contra ele a partir de agora deverá ser considerado parte de um plano de perseguição. O vice-presidente responsabilizou antecipadamente o governo e os responsáveis pela execução de eventuais ordens que atentem contra sua liberdade, sua integridade ou a de sua família.
Ele ainda pediu que a Assembleia Legislativa Plurinacional, o Ministério Público, organizações nacionais e internacionais de direitos humanos e a comunidade internacional acompanhem o caso.
“Bolívia precisa de Justiça, não de armações. Precisa de diálogo, não de perseguição política”, conclui o documento, assinado por Edmand Lara Montaño e datado de 2 de outubro de 2026, em Madri.