
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou à Polícia Federal que todos os fatos que envolvam ministros da Corte no caso Banco Master devem passar por apuração “sem exceção”. A posição consta de um ofício enviado nesta sexta (2) ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, segundo a coluna de Cézar Feitoza no UOL.
No documento, Fachin diz que a Presidência do STF só deve receber relatórios, expedientes ou conjuntos de informações após a apresentação integral dos fatos relacionados às autoridades citadas. “Serão dados os encaminhamentos devidos”, escreveu o ministro.
Fachin reconheceu que informações, dados, documentos e indícios sobre eventual envolvimento de integrantes do Supremo se tornaram públicos durante as apurações do caso. Ele afirmou haver “inequívoco interesse institucional” na investigação rigorosa de qualquer fato relevante.
O presidente do STF também defendeu que a PF preserve as normas constitucionais e processuais durante as diligências. O ofício cita tanto a autonomia dos órgãos de investigação e persecução penal quanto as competências constitucionais atribuídas ao tribunal.

Reunião entre Fachin e diretor-geral da PF será na próxima semana
Andrei Rodrigues pediu uma reunião com Fachin na quinta-feira (01) para tratar da eventual elaboração de relatórios que envolvam integrantes do Supremo. A audiência ficou marcada para a próxima semana.
Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro trazem citações a ministros do STF, incluindo André Mendonça, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Os filhos de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux também aparecem nas mensagens mencionadas nas investigações.
As conversas ainda registram referências às relações de Vorcaro com Moraes, Toffoli e a “Turma do KN”, expressão associada a Kassio Nunes Marques. As citações não representam, por si só, comprovação de irregularidade e motivaram a discussão sobre o formato dos relatórios da PF.
Pessoas próximas a Alexandre de Moraes reclamaram a Fachin que apenas as menções ao ministro passaram a receber escrutínio do plenário do STF. O grupo defende que a Presidência reúna em relatórios separados todas as referências a ministros para que o tribunal analise os casos de forma conjunta.