
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre ABC, CBS, CNN, NBC e Fox News para apurar se as redes violaram leis antitruste ao suspenderem conjuntamente a cobertura de Donald Trump. A apuração mira o funcionamento do pool de transmissão da Casa Branca, sistema em que emissoras dividem a produção e a distribuição de imagens do presidente. Com informações de estadao.com.br.
Funcionários do departamento procuraram as cinco emissoras na sexta-feira (09) e exigiram comunicações e materiais ligados ao pool, segundo seis pessoas com conhecimento da iniciativa. A medida ocorreu depois de as redes interromperem por alguns dias o compartilhamento das imagens de Trump.
As emissoras adotaram a suspensão no mês anterior, após o governo impedir jornalistas da CNN de entrarem nas dependências da Casa Branca. Sem acesso, a CNN ficou impossibilitada de participar do esquema de cobertura compartilhada.
A Casa Branca também proibiu o acesso da CNN, do Politico e do MS NOW em 18 de setembro. Trump justificou a decisão ao reclamar do que chamou de “notícias propositalmente negativas”.

Departamento cita possível violação da Lei Sherman
A porta-voz do Departamento de Justiça, Emily Covington, afirmou que integrantes da imprensa televisiva “têm orgulhosamente boicotado a cobertura de eventos da Casa Branca”. Para ela, “boicotes coletivos entre concorrentes comerciais podem violar a Lei Sherman”, base da legislação antitruste federal.
Covington disse que a Divisão Antitruste busca determinar se as organizações jornalísticas descumpriram a lei. A investigação amplia o confronto da administração Trump com veículos que fazem a cobertura diária da Presidência.
CNN, Politico e MS NOW acionaram a Justiça contra a restrição de acesso e sustentaram que o governo violou proteções da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O governo respondeu no processo que o acesso à Casa Branca constitui um “privilégio”.
Um juiz federal concedeu uma liminar que suspendeu temporariamente a proibição imposta aos três veículos, com vigência prevista para terminar na terça-feira. A Casa Branca e representantes de ABC, CBS, CNN, NBC e Fox News não comentaram de imediato a investigação.