
Pesquisadores da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, vão investigar se medicamentos GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, podem reduzir comportamentos impulsivos ligados a jogos de azar, compras compulsivas e decisões financeiras de alto risco. O estudo examinará como essas substâncias podem afetar o sistema de recompensa do cérebro. Com informações de O Globo.
Os remédios da classe GLP-1 já são usados no tratamento da obesidade e de outras condições. A nova pesquisa parte da hipótese de que seus efeitos possam ultrapassar a perda de peso e alterar mecanismos ligados à percepção de valor, à motivação e à tomada de decisões.
O neurocientista Michael Platt, professor da Wharton, disse à CBS News que os pesquisadores trabalham com a possibilidade de mudanças duradouras no cérebro. “Acreditamos que os GLP-1 levarão, em última análise, a alguma remodelação estrutural do cérebro, que é onde alguns desses impactos de longo prazo na escolha alimentar podem se manifestar, mas também na tomada de decisões financeiras”, afirmou.
Platt disse que, se a hipótese se confirmar, os medicamentos poderão ajudar parte dos usuários a controlar impulsos financeiros e a priorizar metas de longo prazo, como guardar dinheiro. “Pode ser muito bom financeiramente para a pessoa comum — talvez ela passe a poupar mais dinheiro”, declarou.

Pesquisa acompanhará respostas cerebrais a escolhas financeiras
A equipe pretende recrutar cerca de 180 participantes entre meados de outubro e março de 2027, no laboratório MindCORE, da Universidade da Pensilvânia. A empresa de saúde digital Noom financiará o trabalho.
Os voluntários responderão a perguntas sobre perfil demográfico, saúde mental e eventual uso de GLP-1, além de realizar um exercício cognitivo. Depois, passarão por exames de ressonância magnética enquanto executam quatro tarefas: duas relacionadas à alimentação e duas voltadas a escolhas financeiras.
Em uma das atividades, os participantes verão 14 imagens de produtos, serviços, experiências e oportunidades de gasto, incluindo o prêmio de uma loteria. Os cientistas querem medir respostas espontâneas do cérebro sem exigir uma decisão imediata, e evitarão marcas e logotipos para não interferir no resultado por familiaridade.
Outra etapa apresentará escolhas como receber US$ 20 de imediato ou US$ 50 dois meses depois. Após o exame, cada voluntário terá de cumprir uma das decisões tomadas no experimento; quem optar pelo valor maior deverá esperar para recebê-lo. Os pesquisadores analisarão se o uso de GLP-1 muda o valor subjetivo atribuído a recompensas e se isso se relaciona com compras impulsivas, apostas e outras escolhas financeiras de risco.