Boato – Júlio Valente da Costa Júnior seria um “petista de carteirinha” que poderia manipular o software das urnas eletrônicas e fabricar votos para Lula.
Análise
Em meio à campanha do segundo turno das eleições de 2026, começaram a circular publicações que acusam um servidor da área de tecnologia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ser filiado ao PT e de ter poderes para manipular o sistema de votação.
As mensagens citam Júlio Valente da Costa Júnior e afirmam que ele seria o responsável por manter o software que realiza a contagem dos votos. O conteúdo também diz que ele poderia alterar o código-fonte sozinho, inserir dados e modificar o funcionamento do programa, supostamente sem que outras pessoas percebessem.
A publicação relaciona a atuação do servidor à sua posição no TSE e à época em que teria sido colocado no cargo. Também afirma que o código-fonte das eleições de 2022 não teria sido disponibilizado para auditoria e que as Forças Armadas não teriam tido acesso aos sistemas eleitorais. Veja trechos da mensagem que circula:
Agora está explicado: O responsável por manter o software rodando durante a apuração das urnas eletrônicas é petista de carteirinha e se chama Júlio Valente da Costa Júnior, secretário de Tecnologia da Informação do TSE. Ele é quem tem “superpoderes” no software, pois pode manipular o software diretamente no código-fonte, pode até alterar o comportamento do programa, inserir dados, “corrigir” problemas, criar novas funções, enfim, fazer o que quiser, basta dar uma travadinha no software. O interessante, é que ele foi nomeado e colocado na função em 2021, um ano antes das eleições de 2022. E mais interessante ainda é ele ter sido colocado na função pelo ex-ministro Luis Barroso, aquele que disse “Perdeu, Mané” para apoiadores de Jair Messias Bolsonaro.
É uma coincidência Júlio Valente da Costa Júnior ser amigo de Luís Barroso e ter sido nomeado secretário de TI antes das eleições de 2022. Talvez seja por isso que Luis Barroso, Gilmar Mendes e Moraes estivessem tão felizes e seguros que Bolsonaro iria perder. O código-fonte das eleições de 2022 nunca foi entregue para auditoria, nem mesmo os militares tiveram acesso. E aqueles que exigiram que o TSE entregasse o código-fonte para os militares, foram presos, julgados e condenados a vários anos de prisão. E esse petista continua no posto. Nunes Marques não teve o cuidado de substitui-lo. Ou não pode. Gilmar Mendes e Moraes não devem ter permitido.
Se ele não for substituído, certamente teremos mais surpresas desagradáveis no segundo turno. Ou não. Nunes Marques avisou que, se houver dúvidas em relação ao resultado das eleições, ele irá entregar o código-fonte a quem interessar. Portanto, é um petista nomeado por Luís Barroso que consta como secretário de TI do TSE. Só nos resta orar para os eleitores votarem em massa em Flávio Bolsonaro, para que o infiltrado do PT no TSE não consiga “fabricar” votos para lula. Tudo tem um limite, inclusive para votos desviados. Flávio Bolsonaro é a esperança de termos eleições confiáveis a partir de 2030. Porque o STF será faxinado, será permitido o voto impresso e não terá petista manipulando resultados. Divulgue esta informação.
Checagem
As alegações são falsas ou não apresentam provas que as sustentem. Não encontramos evidências de que Júlio Valente da Costa Júnior seja filiado ao PT, de que possa alterar sozinho o software eleitoral ou de que seja o único responsável pela contagem dos votos. Também é falso que as Forças Armadas tenham sido impedidas de inspecionar o código-fonte das urnas nas eleições de 2022. Para esclarecer o caso, vamos responder a três perguntas: 1) Urnas são fraudadas porque o responsável por manter o software que faz a contagem nas eleições é um “petista de carteirinha” chamado Júlio Valente? 2) Júlio Valente da Costa Júnior é um “petista de carteirinha” e responsável pela contagem dos votos nas eleições? 3) O que o TSE falou sobre os ataques contra a instituição?
Urnas são fraudadas porque Júlio Valente seria um “petista de carteirinha”?
Não há evidências de que Júlio Valente da Costa Júnior seja filiado ao PT ou de que tenha manipulado o sistema eleitoral. As publicações não apresentam documentos de filiação partidária, provas de alterações irregulares no software ou evidências de fraude atribuídas ao servidor.
O nome de Júlio Valente aparece em documentos oficiais do TSE relacionados à área técnica. O tribunal, por exemplo, o identificou como integrante da Secretaria de Tecnologia da Informação em atos oficiais. Um registro funcional do TSE também mostra que ele já havia alcançado estabilidade em 2011, o que contradiz a alegação de que teria ingressado na carreira apenas às vésperas das eleições de 2022. Esses registros, entretanto, não comprovam filiação partidária.
Inclusive, o fato de um servidor trabalhar na área de tecnologia da Justiça Eleitoral não significa que ele controle sozinho o sistema de votação ou que possa alterar resultados sem passar por verificações. A infraestrutura envolve equipes técnicas, procedimentos de segurança e etapas de fiscalização.
Júlio Valente da Costa Júnior é responsável pela contagem dos votos nas eleições?
Não. A contagem e a totalização dos votos não dependem de uma única pessoa com liberdade para alterar o resultado. O processo utiliza sistemas eleitorais, boletins de urna e procedimentos técnicos que podem ser verificados por entidades fiscalizadoras.
O TSE informa que o código-fonte das urnas eletrônicas é aberto à inspeção de entidades habilitadas. Em agosto de 2026, o tribunal anunciou que a Controladoria-Geral da União concluiu a inspeção dos códigos-fonte dos sistemas eleitorais que serão utilizados nas eleições de 2026. O tribunal também explica que há diferentes oportunidades de auditoria ao longo do ciclo eleitoral.
Além disso, é falsa a afirmação de que as Forças Armadas não tiveram acesso ao código-fonte em 2022. Em agosto de 2026, o TSE publicou uma checagem esclarecendo que os militares participaram da inspeção dos sistemas nas eleições de 2022. O relatório entregue pelas Forças Armadas naquele ano não apontou fraude ou inconsistência na comparação, por amostragem, entre boletins de urna e dados disponibilizados pelo TSE. A CNN Brasil noticiou o resultado do relatório em novembro de 2022.
O que o TSE falou sobre os ataques contra a instituição?
Em 8 de outubro de 2026, o TSE publicou uma nota oficial sobre ataques direcionados a servidores da Justiça Eleitoral. O tribunal informou que vinha acompanhando milhares de manifestações com desinformação, exposição indevida de dados pessoais e ameaças contra funcionários e familiares.
Na nota, o tribunal afirmou que acionou a Polícia Federal para a abertura de investigação e que o Ministério Público apresentou representação para a remoção de conteúdos e a responsabilização de usuários envolvidos nos ataques. A manifestação pode ser consultada na íntegra na nota oficial do TSE publicada em 8 de outubro de 2026. Leia:
O Tribunal Superior Eleitoral, por meio do Núcleo Institucional de Garantia dos Direitos Eleitorais (NIGDE) e do Núcleo de Inteligência do Grupo de Enfrentamento à Desinformação (NIGED), tem acompanhado, desde a última terça-feira, movimentos crescentes de ataques a servidores da Justiça Eleitoral. Até o início da tarde de hoje, foram registradas aproximadamente 30 mil manifestações nas redes com desinformação, exposição indevida de informações pessoais, discurso de ódio e ameaças veladas, inclusive contra familiares.
Prontamente, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral acionou a Polícia Federal, para abertura de investigação, e o Ministério Público, que ajuizou uma representação visando à remoção de conteúdos e à responsabilização de usuários que promoveram ataques. Além disso, o Tribunal comunicou às plataformas X e Meta a proliferação dos posts irregulares. Os servidores e seus familiares passaram a contar com efetivo de segurança, a fim de garantir sua integridade física e apoio psicológico. Ataques indevidos e sem fundamento, de qualquer natureza, contra o sistema eletrônico de votação e ameaças a servidores públicos federais constituem crimes previstos no Código Penal e na legislação penal especial.
Conclusão
É falso que haja provas de que Júlio Valente da Costa Júnior seja um “petista de carteirinha” capaz de fabricar votos para Lula. Não há evidências de filiação partidária ou de que ele possa manipular sozinho o software eleitoral. Também é falsa a afirmação de que as Forças Armadas não tiveram acesso ao código-fonte das urnas em 2022, já que o TSE confirma a participação dos militares nas inspeções.
Fake news ❌
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