
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou de sete pontos atrás para sete pontos à frente de Flávio Bolsonaro (PL) entre eleitores de 16 a 24 anos nas pesquisas Datafolha divulgadas em 8 e 15 de outubro. Lula agora tem 50%, contra 43% do senador, em empate técnico: a margem de erro desse segmento é de seis pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na rodada anterior, Flávio Bolsonaro registrava 50%, e Lula, 43%. Os dados do painel da Folha mostram crescimento numérico de sete pontos do presidente e recuo equivalente do adversário na pesquisa estimulada de segundo turno, em votos totais. A diferença entre eles deslocou-se 14 pontos, sem que isso represente um ganho dessa magnitude para Lula.
A inversão ocorre depois de uma semana de protagonismo estudantil na campanha. Em 11 de outubro, dois dias antes do início das entrevistas atuais, jovens comandaram o ato pró-Lula na Avenida Paulista, que teve a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, entre as apresentadoras. No evento, Lula pediu que os apoiadores conversassem com idosos e pessoas que não votaram no primeiro turno.

A organização também passou pelas universidades. Estudantes da UnB aprovaram sua participação em assembleias convocadas pelo DCE em 8 de outubro e foram à Esplanada dos Ministérios no dia 13, durante o campo da pesquisa. A sequência documenta uma mobilização anterior à divulgação dos novos números, voltada a transformar presença nas ruas em trabalho de campanha.
Ao comentar a Quaest no dia 14, o jornalista e analista político Leonardo Sakamoto apontou a organização de jovens, os atos de rua e a atuação de influenciadores progressistas como elementos do novo fôlego da candidatura. Essa leitura ajuda a formular uma hipótese para o período: manifestações e redes de contatos podem estimular apoiadores a divulgar argumentos e conversar com outros eleitores, ampliando a campanha para além de quem comparece aos atos.
A melhora numérica entre jovens também aparece em outros indicadores do Datafolha. A aprovação do trabalho de Lula passou de 46% para 52%, e a desaprovação caiu de 51% para 47%. Em pergunta distinta, a avaliação ótima ou boa do governo subiu de 26% para 33%, enquanto a ruim ou péssima recuou de 41% para 37%. Os resultados se referem aos eleitores de 16 a 24 anos, com margem de seis pontos.

A coincidência entre mobilização e inversão numérica torna essa relação uma hipótese política relevante, mas não demonstra sua causa. O Datafolha não acompanhou as mesmas pessoas nem identificou participantes dos atos como responsáveis pela mudança. No conjunto nacional, Lula manteve 45% dos votos totais; o avanço entre jovens não se reproduziu como crescimento do presidente no total do eleitorado.
A rodada atual, encomendada pela Folha, ouviu presencialmente 2.520 eleitores de 16 anos ou mais em 153 municípios, nos dias 13 e 14 de outubro. A margem nacional é de dois pontos, com confiança de 95%, e o registro é BR-00466/2026. A pesquisa divulgada em 8 de outubro teve 2.520 entrevistas em 6 e 7 de outubro e registro BR-02949/2026. Para os jovens, vale a margem específica de seis pontos.