
O impedimento de Kassio Nunes Marques alterou o cenário de uma possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada ao banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Flávio Dino pediu vista do processo e a Corte adiou a decisão sem prazo definido.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo a Folha de S.Paulo, antes da sessão de terça (15), a avaliação entre integrantes do tribunal era que Moraes perderia a votação. Pelas contas, cinco ministros apoiariam a investigação, enquanto quatro votariam contra a medida, considerando a participação do próprio Moraes em uma eventual discussão processual.
Edson Fachin, presidente do STF, Cármen Lúcia, André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques integrariam o grupo favorável à apuração. Dias Toffoli se declarou impedido, como de fato ocorreu na sessão.

Mensagens sobre filho de Kassio precederam impedimento
Na véspera do julgamento, mensagens extraídas do celular de Vorcaro passaram a circular entre gabinetes e indicavam supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques. Kevin nega ter recebido os valores.
A informação chegou ao gabinete de Kassio, que foi questionado pela imprensa no dia seguinte. Naquela noite, ele avisou Alexandre de Moraes que se declararia impedido no julgamento que discutiria a abertura da investigação.
Ministros que defendiam a apuração ainda esperavam que Kassio participasse da votação contra Moraes. Alguns chegaram a preparar manifestações para questionar sua presença no julgamento diante das mensagens que citavam Kevin Marques.
Kassio se antecipou aos debates, declarou impedimento e deixou o plenário. “Na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”, afirmou o ministro, que preside o Tribunal Superior Eleitoral.
Com a saída de Kassio, magistrados ouvidos pela colunista Mônica Bergamo avaliaram que o placar ficou empatado, revertendo momentaneamente a situação desfavorável a Moraes. Em seguida, Flávio Dino pediu vista, suspendendo a definição do STF sobre o caso.