Campanha de Lula buscará evangélicos com panfletos

O jornal Folha de S. Paulo informa nesta quarta (16) que a campanha de reeleição do presidente Lula tentará atrair o voto do eleitorado evangélico – que está mais inclinado ao bolsonarismo – com uma nova estratégia: a produção de panfletos com frases bíblicas e razões para o nicho votar no petista ou manter o seu voto secreto, sem entrar em conflito com pastores que orientam o contrário.

De acordo com o jornal, nas próximas semanas, devem circular cerca de 10 milhões de cópias de materiais siferentes, nos formatos de folder, filipeta e adesivos. A ideia é associar as obras de Lula à frases ou provérbios da Bíblia que defendem os trabalhadores e outras causas sociais. A campanha também vai pregar que “só você e Deus” sabem da sua escolha no momento de teclar na urna.

O PT vem, há várias eleições, tendo dificuldade com o eleitorado evangélico, que pode ser decisivo na disputa de 4 de outubro contra Flávio Bolsonaro e outros adversários. Na pesquisa BTG/Nexus de setembro, Lula apareceu com apoio de apenas 31% dos evangélicos no segundo turno, o mesmo patamar de 2018 e 2022.

Em análise feita para a Folha de S. Paulo e ao programa “O Voto”, da GloboNews, o antropólogo e pesquisador Juliano Spyer, que estudao segmento evangélico no Brasil, avaliou que as estratégias do PT são “amadoras e sem consistência” e que a tentativa de diálogo parece até artificial ou oportunista, porque só se dá em ano eleitoral.

“No passado, era o católico Giberto Carvalho quem fazia a ponte com evangélicos. Hoje, tem um setorial interreligioso no PT que atua nos bastidores, mas sem ousadia. Janja vem cantando jingle com inspiração gospel [nos eventos de campanha], mas ela é ligada à religião de matriz afro. Será que é a melhor pessoa para costurar essa relação?”, questionou Spyer em vídeo publicado pela Folha. A primeira-dama está, ao menos desde outubro, promovendo encontros com grupos de mulheres evangélicas ligadas a movimentos sociais para acolher demandas.

Em junho passado, o setor interreligioso do PT definiu que não faria campanha em espaços religiosos por entender que o eleitorado rejeita a medida. Em vez disso, apostaria “em uma rede de influenciadores digitais evangélicos, o aprofundamento do diálogo com igrejas de médio porte e a consolidação de uma frente ampla evangélica, iniciativa que pretende reunir pastores e fiéis filiados a outros partidos ou sem vínculo partidário.”

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