
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha à reeleição do presidente Lula (PT) em São Paulo, afirmou que o grupo terá de mostrar ao eleitorado que o governo não tem relação com a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal.
A estratégia ocorre enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal candidato da oposição, tenta associar Lula ao ministro Alexandre de Moraes. O magistrado enfrenta questionamentos após conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
“É uma crise do Judiciário, e o nosso desafio é comunicar isso para a opinião pública”, disse Carvalho à Carta Capital, depois de uma sessão em que o STF iniciou a análise do caso de Moraes.
Ele argumentou que a controvérsia deve permanecer no âmbito do Judiciário, sem vinculação com o Palácio do Planalto.

Campanha cita liquidação do Master e prisão de Vorcaro
Carvalho, que também coordena o grupo Prerrogativas, disse que a campanha de Lula destacará medidas tomadas durante o atual governo. Entre elas, mencionou a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal.
O advogado atribuiu o início das operações de Vorcaro ao governo de Jair Bolsonaro e citou o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. “Esse banqueiro começou a operar no governo de Bolsonaro e com aval de Campos Neto”, afirmou.
Carvalho relacionou o apoio de Vorcaro ao filme “Dark Horse”, que recebeu dezenas de milhões de reais e ainda não foi lançado. O coordenador lembrou também que a planilha de gastos da produção não foi apresentada ao público.
Para Carvalho, cabe ao próprio STF buscar uma solução para a crise. “Só ao Judiciário compete resolvê-la, e acho que hoje existe pelo menos um esforço de tentar endereçar essa solução”, declarou.