Como a Rockbridge, rede de Vance, reúne bilionários da tecnologia e mira o Brasil

Manifestante com máscara de Donald Trump em protesto contra a Palantir em Berlim
Manifestante com máscara de Donald Trump protesta contra o uso de software da Palantir em Berlim. Foto: Reprodução

A Rockbridge Network, rede conservadora dos Estados Unidos cofundada pelo vice-presidente J.D. Vance, reúne empresários, investidores e figuras da tecnologia em torno de uma estrutura voltada à influência política. O grupo ganhou atenção no Brasil após entrar no debate eleitoral das últimas semanas.

Criada em 2019 a partir de um encontro fechado em Rockbridge, área rural de Ohio, a organização mantém atuação discreta e divulga poucos detalhes sobre suas atividades. Reportagens de veículos americanos revelaram informações sobre seus financiadores, sua composição e seus objetivos políticos.

Vance fundou a rede com Chris Buskirk, empresário e investidor conservador. O bilionário Peter Thiel participou do encontro que originou o grupo e apresentou os dois fundadores.

Thiel foi um dos primeiros grandes investidores do Facebook e cofundou o PayPal e a Palantir Technologies, empresa de análise de dados e inteligência artificial com contratos e operações nas áreas de defesa, inteligência e segurança nacional. Vance trabalhou em um fundo ligado ao empresário, que depois investiu US$ 15 milhões em sua campanha ao Senado.

Investidores e empresários ligados à rede conservadora

Entre os nomes associados à Rockbridge estão Marc Andreessen, fundador da Netscape e da gestora Andreessen Horowitz, os irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, criadores da plataforma de criptomoedas Gemini, e Rebekah Mercer, financiadora de organizações conservadoras americanas.

O financista Omeed Malik também integra esse círculo. Em 2022, discussões entre Buskirk, Malik e Mercer deram origem à 1789 Capital, gestora independente da Rockbridge que afirma praticar o “capitalismo patriótico”.

Com mais de US$ 1 bilhão em ativos, a 1789 Capital investe em empresas da chamada economia America First, em setores como tecnologia, defesa e mídia. Entre as companhias de seu portfólio estão SpaceX, xAI, Neuralink e Perplexity.

Documentos internos apresentados a possíveis financiadores definiram a Rockbridge como uma espécie de “empresa de capital de risco político”, destinada a aplicar recursos e conhecimento na construção de uma nova infraestrutura conservadora. As contribuições para integrar o grupo variavam de US$ 100 mil a US$ 1 milhão.

Os recursos financiam mobilização eleitoral, pesquisas, mídia e organizações conservadoras, enquanto os encontros fechados aproximam investidores, empresários e formuladores de políticas públicas. Um dos documentos apontava como objetivo substituir o “atual ecossistema do Partido Republicano” por instituições mais orientadas à ação.

A expansão internacional da rede se relaciona à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, que envolve inteligência artificial, semicondutores, energia, capacidade computacional e minerais estratégicos. A Rockbridge se aproximou da Coreia do Sul, potência na produção de chips e baterias, e reportagens sul-coreanas apontaram interesse em Taiwan, Índia e Brasil.

O Brasil reúne mercado consumidor, oferta de energia e reservas de minerais considerados estratégicos para segmentos da indústria tecnológica, como equipamentos eletrônicos, baterias, motores e sistemas de defesa.

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