Pedido de prisão de servidor leva governo a denunciar “patrulhamento” de Flávio Bolsonaro

George Marques
O servidor da Secretaria de Comunicação Social do governo brasileiro, George Marques. Foto: Reprodução/Redes Sociais

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) reagiu neste sábado (26) ao pedido de prisão do servidor George Marques feito pela defesa de Flávio Bolsonaro (PL). Em nota, o órgão classificou a iniciativa como “injusta e arbitrária” e acusou o candidato à Presidência de promover “patrulhamento e censura” no episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

George Marques ocupa o cargo de coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secom. A defesa de Flávio Bolsonaro levou à Justiça Eleitoral uma queixa-crime relacionada a uma publicação que o servidor republicou em seu perfil pessoal. A mensagem defendia que continuasse circulando a alegação de que Flávio Bolsonaro e o PL estariam ligados à retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A repostagem foi apagada horas depois.

A Secom afirma que não pode ser responsabilizada pela manifestação do servidor. Segundo a nota, George usou uma conta pessoal, fora do expediente e em equipamento próprio. “Causa especial estranheza e indignação o pedido injusto e arbitrário de prisão de um cidadão brasileiro”, afirmou o órgão ao rebater as acusações apresentadas pela campanha.

O episódio ocorre em meio à ofensiva judicial de Flávio Bolsonaro contra publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida. Na sexta-feira (25), André Mendonça determinou a retirada de mais de 1,6 mil publicações e autorizou que as plataformas impeçam novas postagens que apresentem como fato a afirmação de que o candidato ou sua família pretendem retirar o título de Padroeira do Brasil.

Flávio Bolsonaro
O senador e candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Roque de Sá/Agência Senado

As decisões já vinham provocando críticas sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral. O advogado-geral da União, Jorge Messias, criticou o “uso ostensivo” do Sistema de Justiça pela campanha de Flávio Bolsonaro e alertou para o risco de transformar os tribunais em extensão da disputa política. A defesa do humorista Antonio Tabet também acusou Mendonça de censura depois que uma postagem sua foi atingida pela ordem.

No caso de George Marques, a Secom elevou o tom ao afirmar que o governo mantém compromisso com a liberdade de expressão e de religião e vê com “profunda preocupação” medidas contra manifestações individuais. Para o órgão, Flávio Bolsonaro tenta atribuir ao governo uma postagem feita em caráter pessoal por um de seus servidores.

A controvérsia agora reúne três frentes: a disseminação da informação considerada falsa pela Justiça Eleitoral, as ordens de remoção determinadas por Mendonça e a tentativa da campanha de responsabilizar criminalmente autores e divulgadores das publicações. Com o pedido contra George Marques, o confronto saiu das redes e passou a envolver diretamente a estrutura de comunicação do governo Lula.

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