A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de suspender a circulação do jornal Petróleo dos Brasileiros, do Sindipetro Unificado, provocou uma reação de jornalistas sindicais de todo o país. A medida, tomada a pedido da campanha do candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro (PL), atinge uma publicação que denuncia as privatizações realizadas durante o governo Jair Bolsonaro e debate o futuro da Petrobras e os direitos dos trabalhadores.
Em nota, os profissionais manifestam solidariedade ao Sindipetro Unificado, à FUP e aos profissionais responsáveis pela publicação, além de defenderem a revisão da decisão. Eles também classificam a decisão como um grave ataque à liberdade de imprensa e ao direito à informação. Para os signatários, impedir a circulação de um jornal sindical em plena disputa eleitoral ameaça a democracia e tenta silenciar a voz organizada da classe trabalhadora. “O jornalismo sindical não se calará diante de restrições que ameacem seu direito de informar”, afirmam.

Leia abaixo a íntegra do manifesto, que também está aberto a novas assinaturas.
JORNALISTAS SINDICAIS BRASILEIROS REPUDIAM CENSURA A JORNAL DO SINDIPETRO
A liberdade de imprensa e o direito à informação não podem ser submetidos a interesses eleitorais.
Nós, jornalistas sindicais brasileiros, manifestamos nosso repúdio à decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão da circulação do jornal Petróleo dos Brasileiros, produzido pelo Sindipetro Unificado e apoiado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), após solicitação da campanha de Flávio Bolsonaro.
A medida atinge a distribuição dos exemplares impressos, o acesso ao arquivo da publicação no site e sua divulgação digital. A edição abordava as eleições de 2026, comparando propostas para a Petrobras e recuperando medidas de privatização e venda de ativos adotadas durante o governo Jair Bolsonaro.
Impedir a circulação de uma publicação jornalística sindical representa uma grave ameaça à liberdade de imprensa e ao direito dos trabalhadores à informação. É dever do jornalismo oferecer elementos para que a sociedade compreenda os projetos políticos em disputa, especialmente quando estão em questão o patrimônio público, os direitos sociais e o futuro do mundo do trabalho.
A imprensa sindical tem uma trajetória histórica de resistência, organização dos trabalhadores e defesa da democracia. Seus veículos são instrumentos legítimos de informação, análise e expressão coletiva. Não podem ser tratados como espaços de comunicação de segunda categoria, nem ter sua atuação restringida por abordarem temas de interesse público e eleitoral.
Reconhecemos que a Justiça Eleitoral tem a responsabilidade de assegurar a regularidade das eleições e coibir eventuais ilegalidades. Essa atribuição, porém, deve ser exercida em consonância com as garantias constitucionais da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e do direito à informação, com especial atenção aos riscos de medidas que impeçam previamente a circulação de conteúdo jornalístico.
Por isso, nos solidarizamos com os profissionais envolvidos na produção do Petróleo dos Brasileiros, com o Sindipetro Unificado e com a FUP, e defendemos a revisão da medida que impede a circulação da publicação, respeitados os instrumentos legais cabíveis.
O jornalismo sindical não se calará diante de restrições que ameacem seu direito de informar.
Defender a imprensa sindical é defender o direito dos trabalhadores de conhecer, questionar e participar das decisões que afetam suas vidas.
Contra a censura. Pela liberdade de imprensa. Pelo direito dos trabalhadores à informação. Pela democracia.
Jornalistas Sindicais Brasileiros
Subscrevemos:
1. Altamiro Borges – Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé
2. Esdras Gomes Silva – Metamorfose Comunicação – Ceará
3. Fernanda do Carmo Ponzio
4. Ana Marin – São Carlos/SP – SINTUFSCar
5. Marina Valente Marins Camara – Metamorfose Comunicação
6. André Cintra (SP)
7. Adriana Franco – Impacto Comunicação de causa – SP
8. Fernando Augusto Aires – diretor de comunicação do Sinjap
9. Eliene Campelo
10. Crislene Azevêdo
11. Solange Souza
12. Cíntia Teixeira dos Santos, jornalista da Fecesc
13. Aracéa Carvalho, jornalista Stiu-Ma
13. Val Gomes (SP)
14. Renato FReire – Ceará
15. Val Leandro Castelo – Candeia Comunicação – CE
16. Sandra Jacinto, jornalista Sindicato dos Bancários do Ceará
17. Erica Aragão
18. Germana Mcgregor – Jornalista Suprema
19. Luana Lima, CE
20. Ivina Olveira – Jornalista do Sintratel Ceará
21. Marcos Pereira – Jornalista do SECRJ
22. Kátia Marko – FNDC
23. Amanda de Sampaio – jornalista da ADUFC
24. Larissa Vasconcelos – jornalista da ADUFC
25. Nah Jereissati – jornalista da ADUFC
26. Tamara Lopes – jornalista da ADUFC
27. Susana Buzeli (SP)
28. Rogaciano Medeiros -Jornalista do Sindicato dos Bancários da Bahia
29. Adriana Cristina Alves do Amaral
30. Rafael Alves da Silva – jornalista na CUT-SP
31. Gilvan de França – Jornalista Sindicato dos Trabalhadores Químicos de Criciúma e Região(SC)
32. Márcio de Oliveira Rodrigues – programa Mundo do Trabalho (Universitária FM – 107.9MHz) – Fortaleza-CE
33. Joacir Gonçalves – Suzano-SP
34. Mario de Gomes – jornalista – PR – MGS Com Assessoria de Comunicação Sindical
35. Anny Martins- Jornalista Sindsaúde Ceará
36. Auris Sousa – Sidmetal Osasco
Assine através do link: Repudie a censura ao jornal do Sindipetro