Brasil atinge menor desmatamento da história na Amazônia e Cerrado

O Governo Federal divulgou nesta sexta-feira, 16 de outubro, os dados de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que apontam para as menores taxas de desmatamento da série histórica tanto na Amazônia quanto no Cerrado. Os números consolidam uma trajetória de recuperação ambiental, marcada pela quinta redução anual consecutiva na floresta amazônica e pela terceira no bioma Cerrado.

Queda histórica nos dois biomas

Na Amazônia Legal, o desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026 foi de 3.335 km², uma redução de 41,8% em relação ao período anterior, que havia registrado 5.731 km². Este é o menor valor desde o início da série histórica, em 1988. Os estados que lideraram a queda foram Mato Grosso (-46,7%), Amazonas (-46,4%) e Pará (-45,3%).

No Cerrado, a supressão de vegetação nativa caiu para 5.516,69 km² no mesmo período, representando uma redução de 23,8% ante os 7.235,27 km² do ciclo anterior. É o menor patamar registrado desde o início do monitoramento do bioma, em 2001. A região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) respondeu por 74,3% do total desmatado, mas também apresentou quedas expressivas, com destaque para o Piauí, que reduziu sua taxa em 53,7%.

Fiscalização e ordenamento territorial

Os resultados refletem a estratégia federal de prevenção e controle, ancorada no restabelecimento, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e do Plano para o Cerrado (PPCerrado). Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou mais de 76 mil ações de fiscalização, aplicando R$ 11,8 bilhões em multas e embargando 18.630 km². O ICMBio, por sua vez, lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais.

Além da repressão, o ordenamento territorial avançou com a criação de 18 novas unidades de conservação federais e a homologação de 20 terras indígenas desde janeiro de 2023, somando cerca de 57 mil km² de áreas protegidas. O programa União com Municípios também fortaleceu a gestão local, com R$ 780 milhões em execução para regularização ambiental e assistência técnica.

Incentivos econômicos e tecnologia

A política ambiental foi aliada a instrumentos econômicos para fomentar a produção sustentável. No Plano Safra 2026/2027, produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regular e que adotam práticas sustentáveis ganharam redução de até 1 ponto percentual na taxa de juros. Programas como o Bolsa Verde e o Floresta+ Amazônia continuam expandindo o pagamento por serviços ambientais para agricultores familiares.

O Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, já conta com 160 projetos aprovados e R$ 7,8 bilhões comprometidos. Em uma frente de inovação, o banco aprovou R$ 147,6 milhões para o Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas). O novo sistema utilizará inteligência artificial para integrar os dados do Prodes e do Deter, produzindo dados anuais ao longo de todo o ano e expandindo o monitoramento do Deter para a Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, com resolução de imagem aprimorada para 30 metros em todos os biomas.

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