
Novo Progresso, no sul do Pará, registra uma campanha bolsonarista desmobilizada enquanto nove moradores enfrentam denúncia da Procuradoria-Geral da República por suspeita de participação em atos golpistas após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) em 2022. O município deu ao ex-presidente 79,6% dos votos no primeiro turno e 82,92% no segundo, os maiores percentuais da Amazônia.
A PGR denunciou os nove suspeitos ao Supremo Tribunal Federal em 24 de agosto, após investigação da Polícia Federal. O órgão atribuiu ao grupo os crimes de associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito.
O vereador Pedro de Vargas (União Brasil), que organizou um adesivaço em favor de um deputado federal bolsonarista candidato à reeleição, resumiu o cenário: “Aqui está tudo parado”. Ele também apontou o alinhamento do prefeito ao grupo do ex-governador Helder Barbalho (MDB), apoiador de Lula, como fator para o esvaziamento.
Os rostos de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e de Jair Bolsonaro apareceram em adesivos e camisetas de poucos cabos eleitorais. A mobilização contrastou com as eleições de 2018 e 2022, quando demonstrações públicas de apoio ao bolsonarismo eram mais frequentes na cidade e em propriedades rurais da região.
Bloqueio da BR-163 terminou com ataques a policiais

Os episódios investigados ocorreram na primeira semana de novembro de 2022, quando manifestantes bloquearam a BR-163 por sete dias. Empresários locais, frotas e funcionários de empresas participaram da ação, em uma área marcada pelo escoamento de soja e por atividades de garimpo, madeira, pecuária e agricultura.
Manifestantes atiraram e lançaram pedras contra policiais rodoviários federais que tentavam liberar a estrada. Todas as viaturas empregadas pela PRF na operação sofreram ataques, e três carros ficaram perfurados por disparos, conforme os registros policiais.
O Ministério Público Federal apontou tentativa de homicídio contra os agentes e sustentou que o bloqueio buscava contribuir para um golpe de Estado. O caso seguiu para a PGR por conexão com a investigação mais ampla sobre a tentativa de golpe.
Parte dos denunciados deixou Novo Progresso e vendeu imóveis ou pequenos negócios. Entre os que permaneceram, Carlos Henrique Ferreira, de 40 anos, contestou a acusação: “Eles pegaram pessoas aleatórias”. A denúncia afirma que ele foi filmado durante os atos.
Jeferson Paulo Milioni, outro denunciado, disse que aderiu ao bloqueio “só para estar no meio da bagunça” e afirmou não ter decidido o voto para a eleição. Vídeos reunidos na investigação, porém, indicam que ele se juntou a outros manifestantes para interromper a rodovia.
Em Novo Mundo, no Mato Grosso, o produtor Claudiney Pereira afirmou que votará em Flávio Bolsonaro e colocou uma bandeira dos Estados Unidos ao lado da bandeira brasileira na entrada de sua propriedade. “Botei essa bandeira dos EUA para tirar mau olhado dos petistas”, disse.