O partido A Esquerda (Die Linke) venceu pela primeira vez as eleições estaduais de Berlim neste domingo (20). Com 25,7% dos votos, a legenda mais que dobrou o resultado de 2023 e superou a União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz.
A CDU ficou em segundo lugar, com 18,8%, seguida pela Alternativa para a Alemanha (AfD), com 16,3%. Os Verdes receberam 14,3% e o Partido Social-Democrata (SPD), 12,1%. A coalizão entre CDU e SPD, que governava a capital, perdeu a maioria.
“Nosso programa venceu a eleição”, comemorou a candidata do Die Linke, Elif Eralp. “As berlinenses e os berlinenses nos deram um mandato claro para governar a Prefeitura Vermelha. Na nossa cidade, o amor e a justiça venceram o ódio, e essa mensagem ecoa para o mundo”, afirmou à emissora pública ARD.
Advogada e deputada, Eralp conduziu uma campanha centrada na crise da moradia e no aumento dos aluguéis.
O partido defendeu o controle dos preços e a estatização de cerca de 220 mil imóveis pertencentes a grandes grupos imobiliários. A medida foi aprovada por 58% dos eleitores em um referendo realizado em 2021, mas nunca saiu do papel.
Filha de militantes de esquerda que deixaram a Turquia após o golpe militar de 1980, Eralp tem 45 anos e pode se tornar a primeira prefeita de Berlim de origem migrante. SPD e Verdes já admitiram negociar a formação de um governo liderado pelo Die Linke.
Durante a comemoração da vitória, apoiadores do partido entoaram “Palestina livre”. Eralp cobrou a responsabilização de Israel pelos massacres na Faixa de Gaza e, durante a campanha, defendeu a proteção das comunidades judaica, palestina e muçulmana da cidade.
Extrema direita vence no nordeste
A vitória da esquerda na capital, porém, veio acompanhada de um novo sinal de alerta. No mesmo domingo (20), a AfD venceu a eleição em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, com 38,2% dos votos.
O partido de extrema direita mais que dobrou os 16,7% obtidos na eleição anterior e superou por pequena margem o SPD, que alcançou 35,5%. Apesar da primeira colocação, a AfD dificilmente conseguirá formar um governo, já que as demais forças políticas mantêm a recusa a qualquer aliança com a legenda.
Foi a segunda vitória estadual da extrema direita alemã em menos de um mês. Em 6 de setembro, a AfD recebeu 43,8% dos votos na Saxônia-Anhalt.
O partido também cresceu em Berlim, onde passou de cerca de 9% em 2023 para 16,3%. Ainda assim, terminou quase dez pontos atrás do Die Linke em uma eleição marcada pela mobilização em torno do direito à moradia.
CDU sofre pior resultado de sua história
A maior derrotada das duas eleições foi a CDU de Friedrich Merz. Além de perder a liderança em Berlim, o partido recebeu apenas 4,9% em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, reduto político da ex-chanceler Angela Merkel.
A legenda perdeu mais da metade de seus votos e ficou abaixo da cláusula de barreira de 5%. É a primeira vez, em oito décadas de existência, que a CDU não consegue eleger representantes para um Parlamento estadual.
“É um desastre”, reconheceu Merz. O chanceler afirmou que seu partido foi “esmagado” por uma disputa concentrada entre a AfD e o SPD, mas descartou deixar o governo e prometeu manter seu programa de reformas.
A derrota aumenta a pressão sobre Merz, que chegou ao governo prometendo conter o crescimento da AfD. O efeito foi o oposto: a extrema direita já venceu duas eleições estaduais em setembro, enquanto a CDU perdeu espaço tanto para o Die Linke em Berlim quanto para a AfD no leste do país.