
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve um ataque de pelanca ao ser cobrado nesta segunda-feira (24) pela prestação de contas de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em vez de dizer se cumprirá a promessa de apresentar o contrato envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ele elevou o tom, interrompeu jornalistas e desviou a resposta para o presidente Lula e uma série de outros personagens.
A pergunta foi feita pelo repórter Sam Pancher, do Metrópoles. Ele lembrou que Flávio havia se comprometido pessoalmente, em julho, a prestar contas sobre o filme e questionou por que a campanha passou a deixar a tarefa sob responsabilidade da produtora GoUp.
Flávio alegou que uma reportagem do g1 já havia detalhado os gastos da produtora e que documentos foram apresentados em uma investigação conduzida em São Paulo. A resposta, porém, não esclareceu se ele divulgará o contrato nem se manterá o compromisso assumido publicamente.
Quando o jornalista repetiu a pergunta e questionou se o candidato havia mudado de ideia, Flávio reagiu: “Vocês vão parar no tempo?”. Em seguida, classificou o projeto como “um filme privado” sem contrapartida pública. A cobrança, no entanto, não tratava de uma obrigação legal da produção, mas da promessa feita pelo próprio senador.
➡️ “Vocês vão parar no tempo?”, diz Flávio ao ser perguntado sobre Caso Master
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— Metrópoles (@Metropoles) August 24, 2026
Sem responder ao ponto central, Flávio passou a atacar Lula e citou o Banco Master, Lulinha, Jaques Wagner, Rui Costa, Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Ribeiro, tentado desviar o foco do questionamento.
A hostilidade contrasta com a postura exibida pelo candidato menos de duas semanas antes. Em 11 de agosto, Flávio serviu churrasco e refrigerante a jornalistas e afirmou que prestava “solidariedade” aos profissionais diante de uma operação contra uma fonte de imprensa. Na ocasião, apresentou-se como defensor da liberdade jornalística e do sigilo das fontes.
Desta vez, diante de uma cobrança dirigida a ele próprio, Flávio investiu contra os repórteres. “Se quiserem continuar questionando um presidente da República, votem em mim”, declarou. Ele ainda afirmou que fontes de jornalistas poderiam sofrer buscas e apreensões em um novo mandato petista, novamente sem explicar o destino do documento que havia prometido apresentar.
Ao fim da entrevista, a pergunta simples permaneceu sem resposta: Flávio Bolsonaro divulgará ou não o contrato envolvendo Vorcaro e a prestação de contas prometida? O candidato não disse. Preferiu transferir a responsabilidade para a produtora, atacar a imprensa e espalhar a culpa por todos os lados, menos sobre o fato que motivou a cobrança.