
A Justiça de São Paulo manteve a prisão temporária de 11 pessoas presas na Operação Vectura Corrupta, que apura suspeitas de infiltração do PCC em empresas de transporte público no estado. Entre os alvos está o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por seis mandatos. Com informações de Folha de S.Paulo.
Os 11 investigados passaram por audiências de custódia entre sexta-feira (18) e domingo (20), e o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu pela manutenção das prisões. Outros cinco alvos de mandados de prisão não tiveram audiências registradas, o que indica que podem estar foragidos.
O último investigado detido foi Paulo Korek, presidente do Água Santa, que se apresentou na noite de sábado (19) na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes. Ele chegou acompanhado por agentes da Corregedoria da Polícia Civil após pedir garantias para preservar sua integridade física na prisão.
Roberto Vasco Teixeira Leite, advogado de Korek, afirmou que seu cliente não recebeu uma imputação direta. “Não existe imputação feita a ele. O que ali é dito são terceiros falando, diálogos de terceiros citando pessoas. Não existe uma ligação dele, ele falando com ninguém”, disse.

Defesa de Milton Leite nega ligação com esquema investigado
Milton Leite se apresentou à polícia na tarde de sexta-feira, cerca de 38 horas após a deflagração da operação. Na delegacia em Mogi das Cruzes, ele declarou ser “inocente de todas as acusações” e afirmou que terá “oportunidade de provar tudo”.
O advogado Aloísio Lacerda Medeiros disse que o ex-vereador “não tem nada a ver com a história”. O pedido de prisão menciona o nome de Leite em um áudio apreendido em celular e em depoimentos de policiais à Corregedoria da Polícia Militar.
As representações da polícia e do Ministério Público que solicitaram a prisão não apontam pagamentos ou vínculos societários de Milton Leite com as empresas e os demais investigados. Korek, por sua vez, é suspeito de atuar como testa de ferro de integrantes da facção e de administrar interesses do crime organizado.
A investigação apura corrupção de agentes públicos e indícios de que o PCC financiou campanhas para prefeito e vereador nas eleições de 2024, além de acompanhar a atual disputa eleitoral. Policiais cumpriram mandados em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.