
A Polícia Federal aponta indícios de que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro recebeu vantagens por meio de uma estrutura de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial investigada no caso Refit, apontou o g1. Entre os episódios citados estão uma compra de R$ 10,5 mil em caviar, o uso de uma casa de luxo em Petrópolis e o aluguel de uma cobertura na Barra da Tijuca por valor abaixo do estimado pela corporação para imóveis semelhantes.
Os elementos constam na decisão relacionada à Operação Sem Refino 2, cujo sigilo foi retirado nesta quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a investigação, mensagens mostram Castro negociando pessoalmente tipos e quantidades de caviar para uma encomenda que deveria ser parcialmente entregue em uma suíte do Hotel Emiliano, em São Paulo.
Depois dos descontos, a compra ficou em R$ 10,5 mil. Castro disse ao vendedor que enviaria o comprovante do Pix, mas a análise bancária apontou que o pagamento partiu da AC Santos Participações e Empreendimentos, empresa do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo e apontado pela PF como operador do grupo investigado.
A corporação também analisa uma casa utilizada por Castro no condomínio Locanda Residenze, em Petrópolis. O imóvel está registrado em nome da Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., mas os investigadores afirmam que mensagens e documentos indicam que o ex-governador exercia a posse de fato: recebia contas de energia, tratava intervenções como “minha obra” e acompanhava reformas. Entre os projetos encontrados está uma adega climatizada orçada em R$ 245 mil, cujo arquivo apresentava nos metadados a identificação “AP Adega Claudio Castro”.

A administradora da empresa proprietária do imóvel mantém vínculos societários com Luiz Fernando Gomes. Uma companhia ligada ao empresário firmou 11 contratos com o governo estadual durante a gestão Castro, no total de R$ 355,2 milhões, dos quais R$ 49,6 milhões foram celebrados sem licitação. A existência dos contratos, isoladamente, não comprova que o imóvel tenha sido oferecido em contrapartida.
Na Barra da Tijuca, Castro mora em uma cobertura com aluguel contratado por R$ 10 mil mensais. A PF estima que imóveis semelhantes custem entre R$ 25 mil e R$ 29 mil por mês e investiga se a diferença representou uma vantagem indevida. A empresa proprietária comprou o apartamento por R$ 3,48 milhões, foi aberta 50 dias antes da aquisição e tem o imóvel como único ativo registrado.
Carlo Luchione, advogado de Castro, afirmou que ainda não teve acesso à íntegra dos dados extraídos do telefone do ex-governador. Segundo a defesa, Castro se colocou à disposição da Polícia Federal para prestar esclarecimentos e nega ter praticado qualquer ato ilícito.