
O vereador Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, estreou na propaganda eleitoral de televisão sem citar o estado e pediu voto para o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência. O programa apostou em lembranças da infância do filho de Jair Bolsonaro.
Carlos abriu a participação falando da filha Júlia, de três anos e meio. “Ela gosta de ver as princesas comigo. Baby shark que fala”, disse, antes de passar a narrar fotos antigas ao lado do pai e dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro.
Ao relembrar a família, ele afirmou que a mãe era “sargentona” em casa e descreveu Jair Bolsonaro como alguém cuja autoridade vinha da conversa. “Sempre fomos muito unidos. Desenvolvemos o senso do que era certo e errado com a orientação do meu pai”, declarou.
No encerramento, Carlos apresentou a chapa bolsonarista no estado e incluiu Flávio na mensagem ao eleitor. “Eu sou Carlos Bolsonaro, candidato a senador, e o nosso time está escalado. Flávio Bolsonaro presidente, Jorginho Mello governador, Adriano como vice, e, lá no Senado comigo, a Carol De Toni”, afirmou.
Adversários exploram ligação de Carlos Bolsonaro com o Rio
A ausência de referências a Santa Catarina deu munição à coligação de esquerda. O vereador Afrânio Boppré (PSOL), também candidato ao Senado, disse no horário eleitoral que as vagas catarinenses não poderiam ser entregues a uma “família do Rio de Janeiro”.
Boppré atacou a família Bolsonaro ao afirmar que ela vive “nas páginas policiais na companhia de milicianos, chefes do crime e assassinos de aluguel”. “Não é isso que os catarinenses querem”, declarou o candidato do PSOL.
A entrada de Carlos na chapa majoritária também abriu divisão no diretório catarinense do PL. Integrantes do partido avaliam que ele ainda precisa se firmar como candidato ligado ao estado, enquanto a disputa pelas duas vagas ao Senado segue acirrada nas pesquisas.
A deputada federal Carol De Toni (PL-SC), companheira de chapa de Carlos, concentrou seu programa nas próprias origens catarinenses e no mandato. Ela disse ter aprovado mais de 1.200 leis com outros parlamentares de oposição e destinado mais de R$ 370 milhões a municípios do estado, antes de pedir votos para o “amigo” Carlos.
O senador Esperidião Amin (PP-SC), que busca a reeleição após ficar fora da coligação com a chegada de Carlos, apresentou-se como adversário do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e defensor dos golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro. Amin citou o voto contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo, a relatoria da proposta de dosimetria e a autoria de um projeto de anistia.