
O Banco de Brasília (BRB) afirmou no domingo (13) que foi “vítima de atos criminosos” nas operações investigadas pela Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Em nota, a instituição declarou que os antigos dirigentes não devem ser confundidos com o banco.
A atual administração informou que renovou integralmente a diretoria executiva e adotou medidas para fortalecer os controles internos e a governança. O BRB contratou o escritório Machado e Meyer, com suporte técnico da Kroll, para conduzir uma auditoria forense independente sobre as operações sob investigação.
Documentos divulgados após a quebra de sigilo apontam que integrantes do alto escalão do BRB tinham conhecimento de irregularidades em títulos adquiridos nas transações com o Banco Master. A Polícia Federal sustenta que dirigentes praticaram atos fraudulentos para justificar os valores repassados.
Mensagens encontradas no celular do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa indicam que ele buscou alternativas para as negociações depois que o Banco Central negou a compra do Banco Master.
Em mensagem enviada à esposa em 6 de setembro de 2025, ele escreveu: “Estou desde que acordei pensando em caminhos para sair da operação original do Master e construir possibilidades de fazer os ajustes que gostaria na carteira de crédito”.

Auditoria do BRB foi enviada à Polícia Federal e ao Banco Central
Na mesma mensagem, Paulo Henrique Costa afirmou que havia construído uma saída que não dependeria do Banco Central e seria positiva para o BRB, além de contribuir “para a sobrevivência do Master”. O ex-presidente está preso preventivamente desde abril deste ano.
A Polícia Federal afirma que os gestores do BRB não atuaram como vítimas do Banco Master. As conclusões reunidas no inquérito levaram à abertura de uma nova frente de investigação sobre suspeitas de gestão fraudulenta no banco, atribuídas aos antigos administradores.
O BRB declarou que encaminhou os achados da auditoria à Polícia Federal, ao Ministério Público Federal, ao Banco Central, à Comissão de Valores Mobiliários e ao Judiciário. A instituição também afirmou que o trabalho interno contribuiu para as conclusões da investigação policial.
Sem comentar casos ou pessoas específicas, o banco disse que adota medidas administrativas, extrajudiciais e judiciais para preservar seu patrimônio e buscar a responsabilização dos envolvidos. A nota cita ainda a intenção de obter ressarcimento por eventuais prejuízos causados pelas operações investigadas.
Leia a nota do BRB:
Em relação às matérias divulgadas pela mídia, o BRB reafirma a solidez da instituição diante da recente cobertura sobre operações de cessão de carteiras. Dos R$ 12,76 bilhões divulgados pela imprensa, e referentes à exposição bruta de carteiras com documentação fora do padrão exigido, mais de R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos, e o restante não constitui exposição direta ao Banco Master.
Todo o processo de substituição de carteiras e adição de garantias, prática prevista em contrato, foi reportado e acompanhado pelo Banco Central.
Importante ressaltar que o BRB atua como credor na liquidação extrajudicial e reforçou controles internos. As carteiras atuais seguem padrão adequado, e o Banco permanece sólido e colaborando com as autoridades.
Atualmente, o BRB possui mais de R$ 80 bilhões em ativos, mais de R$ 60 bilhões em carteira de crédito e registrou lucro líquido recorrente de R$ 518 milhões no 1º semestre, com margem financeira superior a R$ 2,3 bilhões, reforçando a solidez em 59 anos de atuação do Banco.
A instituição atende mais de 10 milhões de clientes em 97% do território nacional. Conta com 988 pontos físicos e a liderança no crédito imobiliário no Distrito Federal (64% de market share), sendo o 5º maior banco do País nesse segmento e 2º entre os bancos públicos, apoiado por mais de R$ 72 bilhões em captações.
Assessoria de imprensa BRB