André Mendonça, um homem ungido por Bolsonaro, somente isso… ou um juiz suspeito?*
por Sergio Medeiros
André Mendonça, um ungido de Jair Bolsonaro.
Dizem que André Mendonça seria um ungido.
Para que não haja dúvidas, inicialmente teço algumas considerações, uma vez que não vejo nenhum elogio nessa afirmação.
É que, quem o ungiu foi Jair Bolsonaro, e, disso, entendo, não há nada do que se vangloriar, até porque ninguém mais longe de Deus do que o referido ex-presidente, um notório defensor da tortura e dos torturadores.
Mas, apesar disso, seria Mendonça, não apenas um ungido de Bolsonaro, mas um ungido de Deus??? Alguém escolhido para professar e pregar a palavra de Deus e ser um de seus emissários.
Vamos por partes.
Inicialmente, Bolsonaro e Mendonça, criador e criatura, estão muito longe de Deus, em seus valores e em sua origem..
Lembrem-se, na data da indicação, além de todas as torpezas proclamadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em suas falas, cheias de racismo, misoginia, homofobia e tantas outras desumanidades, alguém que, em plena pandemia havia zombado de uma pessoa agonizando com falta de ar, ou proferido a frase: “eu não sou coveiro”, num total desprezo pelas pessoas, pessoas doentes e sofrendo.
Então, nada mais longe de Deus.
Sim, neste contexto, André Mendonça, extremamente agradecido, sabia muito bem quem o estava indicando, e, ainda sabe. Até mesmo quem é seu filho e herdeiro político Flávio Bolsonaro e suas circunstâncias, desde as rachadinhas às ligações com as milícias do RJ, os negócios com dinheiro vivo, milhões, e, por fim, a relação com Vorcaro, também de mais dezenas de milhões.
Assim, de plano verificamos que a verdade sobre a possível essência divina, não se faz presente e não está muito longe de ser conhecida, bastaria um pouco de boa vontade para ver que a verdade foi escrita em vários atos, alguns brutais, como os ilícitos que nortearam a trama golpista, uma trama que envolvia a retirada à força de um governo eleito, o fim da democracia, a destruição do Estado, a corrupção desenfreada, os roubos e até mesmo assassinatos para que se pudesse alcançar a tomada, à força, do poder.
André Mendonça, todos sabem, foi contemporâneo a estes acontecimentos, e, sem reparos, cuidou de estar lado a lado com seu criador, Jair Bolsonaro, em todos estes atos, em todas estas infâmias,e, nunca disse uma palavra de repreensão, repita-se, nunca disse nada.
Pergunta-se se cabe a algum ungido de Deus, tal atitude, de omissão, de tácita concordância.
Concluo.
Desenganadoramente, André Mendonça é um ungido, mas somente de Jair Bolsonaro e de seu grupo político e familiar.
O outro ainda está para nascer, mas, até agora, nada de sinais, sempre a mesma subserviência.
Passemos a segunda parte.
Nesta mesma seara, entendo, André Mendonça poderia, como qualquer ser humano em seu livre arbítrio, poderia se rebelar contra as forças repressoras que o escolheram e, liberto das amarras, se revelar como um Juiz, ao menos um pouco mais próximo a Deus e de sua solidariedade, seu amor, a todos.
Andre´Mendonça???… Poderias fazer isso? Eu mesmo respondo. Poderia.
Mas, premissa inafastável, tal destino não se faz possível se continuares a comungar o ideário do bolsonarismo primário, definitivamente não.
Ocorre que, André Mendonça, uma vez no cargo, continuou sempre a defender de alguma forma seu criador terreno (com letra minúscula),
Explico.
Pois bem.
A principal tarefa que, como juiz, lhe foi destinada, foi com certeza o caso MASTER, e, nesta tarefa, lhe caberia escrutinar os atos e fatos que envolvem tal roubo, com toda a destruição, toda a corrupção e degradação extremas, e colocá-las à luz.
Entretanto, agora, depois de passados meses e meses, desde que foi alçado a Relatoria do caso, nada foi produzido em relação à gênese central dos crimes, nada avançou, nada se descobriu, nada se faz CLARO.
E, luz sobre os fatos é algo essencial à Verdade, seja de Deus, seja dos homens.
Mas, nada acontece.
E pior, quando vemos a figura do filho de seu, em certa medida, criador, Flávio Bolsonaro, aí mesmo é que nada acontece, mesmo estando este diretamente envolvido com Vorcaro, e seus milhões, … mas, sim… nada acontece.
Então, a qual Deus, perguntamos todos, o Ministro André Mendonça dirige sua obediência, para poder se dizer ungido???
Ao Deus, que está descrito na Bíblia, um Deus de amor… de compreensão, de cuidado e, claro, também de justiça?.
Ou ao seu demiurgo Jair Messias, um mito do pior marketing, desprovido dos bons atributos e com uma trajetória envolta em crimes, desmandos, intrigas, desvios, ilegalidades diversas, já reconhecidas e julgadas, as quais o remeteram a prisão… prisão dos homens sim, mas por delitos… que envergonham a humanidade e que foram escrutinados em toda a sua extensão.
Pois bem, diante do exposto, em tese, registro que a resposta acima pode ser desenganadoramente simples, pois seus atos ainda se revestem do claro vínculo ao grupo que o alçou ao cargo.
…
Mas, em se tratando de Deus… milagres podem acontecer… e todas as investigações podem vir a lume… sem sigilos… sem monstruosos segredos…
…
E, desta vez, sem tomar seu santo nome em vão… possas dizer… Conhecereis a Verdade e ela vos libertará…
É possível, basta um gesto, tente…
…
Libere o sigilo dos processos… não tenha medo dos homens, tenha temor a Deus e possa então, professá-lo.
*Octávio Guedes em um insuspeito freio de arrumação, pergunta e coloca a situação em pratos limpos, e diz… afinal, o caso é o seguinte, André Mendonça é um juiz suspeito???. Este é o caso a ser solvido.
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