
A pesquisa Quaest em que Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula, com 42% a 40%, expõe um dos paradoxos das consultas pré-eleição. A pesquisa informa que a maior preocupação dos brasileiros, depois da segurança (para 31% dos eleitores), continua sendo a corrupção (para 22%). Voltou com força a conversa do combate aos corruptos.
E na semana em que Flávio Bolsonaro é exposto como investigado no caso Dark Horse como mordedor de um banqueiro corrupto, em que surgem novas informações sobre as máfias corruptas da extrema direita envolvidas com Vorcaro, em que a Polícia Federal informa que Eduardo Bolsonaro era o gestor do dinheiro do banqueiro corrupto nos Estados Unidos, em que Mário Frias aparece como grande operador do duto corrupto bolsonarista que levava dinheiro público ao esquema do ‘filme’ – pois nessa semana dos corruptos Flávio Bolsonaro cresce.
O povo quer segurança e também quer saúde, educação e emprego. Mas a classe média está preocupada com a corrupção e decide, na semana em que Flávio é exposto de novo – e com mais provas e como chefe de um esquema corrupto – aumentar sua adesão a Flávio.
2/ Em um eventual 2º turno, continua o empate técnico, mas agora com Flávio Bolsonaro numericamente a frente de Lula: 42% a 40%. É o mesmo resultado observado em abril/26, antes do vazamento do áudio entre Flávio e Vorcaro. Indecisos são 5% e 13% dizem que não vão votar em… pic.twitter.com/cncI6rToha
— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) September 14, 2026
Certamente porque as pautas da semana trataram de corrupção. Um outro tema pode ter mudado o cenário? Quais temas? É um paradoxo que pode existir somente nas nossas cabeças, mas não na cabeça do eleitor ‘independente’ ou indeciso.
O que pode ter acontecido é o que as próprias pesquisas dizem que não aconteceria. O Datafolha informou que o povo não quer saber da briga no Supremo e que 85% não irão alterar o voto por causa do conflito Mendonça X Moraes.
Mas o que a Quaest pode estar mostrando é que a implosão do STF por André Mendonça surtiu efeito. E essa é a situação hoje: o eleitor ‘independente’, preocupado com os corruptos, aumentou a adesão a Flávio Bolsonaro.
Se fosse preciso resumir: a conversa do combate à corrupção parece ser apenas uma gritaria lavajatista sem sentido para a maioria desse eleitorado. E quanto mais se falar de Dark Horse, de lavagem de dinheiro e de desvio de dinheiro público para o ‘filme’, é provável que mais Flávio se fortaleça.