Amorim vê “cerco ao Brasil” em aliança de Trump que Flávio Bolsonaro promete integrar

Celso Amorim
O assessor especial da Presidência da Republica, e ex-ministro de Relações Exteriores e da Defesa, Celso Amorim. Foto: Reprodução/Alessandro Dantas

Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, afirmou que o Escudo das Américas, aliança de segurança liderada por Donald Trump, representa um cerco ao Brasil sustentado por um argumento falso de combate ao crime organizado. A iniciativa é a mesma que o senador Flávio Bolsonaro (PL) prometeu integrar caso vença a eleição presidencial.

“Essa questão do Escudo das Américas põe o Brasil num cerco, cercado com base num argumento falso que é tratar a questão do crime organizado como se fosse terrorismo internacional”, disse Amorim em entrevista à Tutaméia TV.

Flávio Bolsonaro, aliado de Trump, defende a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, posição contrária à do governo Lula. Na quarta-feira (7), em conversa com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, o candidato do PL reafirmou a intenção de levar o Brasil ao Escudo das Américas caso seja eleito.

Lançado em março, o Escudo das Américas reúne os Estados Unidos e 14 países latino-americanos e prevê compartilhamento de inteligência e coordenação de operações. O grupo apoiou sanções americanas contra 24 organizações criminosas da região, incluindo PCC e Comando Vermelho, classificadas pela Casa Branca como narcoterroristas. Entre as medidas estão restrições migratórias e congelamento de bens.

Cúpula das Américas
Donald Trump se reuniu com chefes de estado e líderes de nações da América Latina durante a Cúpula das Américas de 2026. Foto: Daniel Torok/Casa Branca

O governo Lula se opõe à classificação das facções brasileiras como organizações terroristas internacionais. A avaliação do governo é que a medida pode abrir caminho para ações americanas em território brasileiro e sanções contra empresas nacionais.

Amorim afirmou que governos americanos anteriores tentaram influenciar o Brasil, mas não representavam a mesma ameaça de intervenção que ele atribui à gestão Trump. “Agora sim nós sofremos ameaças”, declarou. Ao avaliar o objetivo da iniciativa, disse: “Na realidade, é um esquema de dominação absoluta. O problema deles é a China”.

A aliança integra a política de Trump para ampliar a presença americana na região, inspirada na Doutrina Monroe, que afirmava a primazia dos Estados Unidos sobre as Américas. Em setembro, na abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula advertiu contra “tentações hegemônicas” e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Brasil e México permanecem fora do Escudo das Américas.

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