
O governo do Amazonas, comandado por Roberto Cidade (União Brasil), dispensou uma equipe federal de brigadistas que havia solicitado para combater incêndios florestais, segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A informação, divulgada pelo g1, contesta a declaração do comandante dos bombeiros de que a União havia negado apoio ao estado.
Segundo o ministério, a solicitação chegou em 23 de setembro e levou à mobilização de combatentes e de uma aeronave. Em 30 de setembro, o governo estadual informou que não precisava mais dos brigadistas porque as chuvas teriam ajudado a controlar os focos. A equipe foi dispensada antes de viajar para atuar em campo.
Na sexta-feira (9), o coronel Orleilso Muniz, comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, disse à Rede Amazônica que recebera uma resposta negativa ao pedido de ajuda. Os ofícios apresentados pelos bombeiros ao g1, porém, tratam de outra solicitação, enviada ao Ministério da Justiça em 18 de setembro. Na resposta de 1º de outubro, a pasta informou que não dispunha dos equipamentos solicitados para doação e indicou alternativas de financiamento.
As primeiras aeronaves enviadas pela União chegaram a Manaus neste sábado (10). O MMA afirma que o Ibama já extinguiu 229 incêndios no estado nesta temporada e combate outros 20 focos ativos. A pasta também informou que o projeto ProAmazon recebeu R$ 45 milhões do Fundo Amazônia, com pagamentos em janeiro de 2025 e março de 2026, para fortalecer os bombeiros e a prevenção e o combate ao fogo.

Manaus amanheceu encoberta pela fumaça pelo terceiro dia consecutivo. Por volta das 6h, o sensor instalado na Secretaria de Estado do Meio Ambiente registrou 209,1 microgramas de partículas finas por metro cúbico. O valor supera em mais de oito vezes a referência de 25 microgramas usada pelo sistema Selva, da Universidade do Estado do Amazonas, para classificar o ar como bom. A qualidade do ar no ponto foi considerada péssima.
Na floresta amazônica úmida, incêndios iniciados naturalmente por raios são extremamente raros, conforme o guia do Cemaden. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) documenta o vínculo entre a origem humana do fogo, o desmatamento para pastagens e lavouras e a queima usada na expansão agropecuária e na renovação de pastos. Quando escapa dessas áreas, o fogo atinge a floresta, ressecada pela seca e pelo desmatamento, e provoca perda de biodiversidade e danos aos ecossistemas.
Roberto Cidade compartilhou na quarta-feira (7) a nota de apoio de sua federação a Flávio Bolsonaro. O candidato do PL evitou reconhecer o aquecimento global na sabatina do Jornal Nacional de 28 de agosto e atribuiu calor, chuvas e secas extremas a “efeitos cíclicos”. A ONU identifica as atividades humanas como o principal motor das mudanças climáticas desde o século XIX.
O MMA informou ainda que orientou o estado a solicitar recursos pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, mas que o pedido não havia sido formalizado até este sábado.